5G vai gastar menos energia? A resposta é sim.

Por Nelson Valencio 16.07.2015 –

Segundo a Ericsson, isso é possível e vai envolver mudança de projetos de rede. O Always on sai de cena e as estações rádio base passam a transmitir somente quando e onde for necessário.

5G vai exigir infraestrutura mais inteligente (foto: Ericsson)

5G vai exigir infraestrutura mais inteligente (foto: Ericsson).

A quinta geração de telefonia móvel (5G), estimada para entrar em operação a partir de 2020, promete uma espécie de nirvana para os usuários. Promete. Mas para oferecer taxas maiores de dados, entre outros benefícios, a nova etapa precisa resolver alguns gargalos atuais. A eficiência energética é um deles. Foco do relatório 5G Energy Performance, publicado pela Ericsson em abril desse ano, o desafio é encarado pela fabricante sueca a partir de dois princípios de projeto: a rede deve estar ativa e transmitir quando e onde for necessário. A proposta é simples, porém envolve mudanças. E passa pelo entendimento da infraestrutura atual. Um exemplo é a distribuição do tráfego nas redes móveis instaladas ao redor do mundo: um quinto de todo o tráfego está centralizado em 5% das estações rádio base (ERBs) mais acessadas, enquanto a metade das ERBs respondem por apenas 15% do volume transmitido. E mais: o crescimento do tráfego geralmente é maior nas células que já movimentam maior carga.

Esqueça o Always On

Na visão da Ericsson, o melhor desempenho energético da infraestrutura de telecomunicações vai exigir a mudança de conceito de rede “Always on” para Always available”. Com isso, as funcionalidades e componentes de uma estação rádio base, por exemplo, só serão acessados quando realmente necessários. Espacialmente, a mudança também ocorre, com o direcionamento mais inteligente do tráfego. Hoje, o centro desse processo são as células, capitaneadas pelas estações rádio base. A evolução é que a centralização aconteça em função do usuário. Na prática, tecnologias de antenas avançadas e o beamforming (gerenciamento de RF que adota múltiplas antenas para o envio do mesmo sinal) devem fazer parte do rol de recursos de projeto, assim como as funcionalidades de virtualização de rede (NFV) e a computação em nuvem. Outro conceito interessante é o fatiamento da própria rede, criando pedaços específicos na própria infraestrutura física para o encaminhamento mais racional de demandas de tráfego.

Compartilhamento em todos os sentidos

O compartilhamento, aliás, é uma palavra chave. Isso deve acontecer em vários sentidos. Um deles é a agregação de vários NFV num mesmo hardware, como servidores. A maior utilização das NFVs permitirá a concentração em data centers específicos, otimizando a demanda energética. Mais especificamente em infraestrutura das operadoras, o compartilhamento pode acontecer na ativação de células de 5G, com aproveitamento do mesmo site e uso de energias renováveis como a solar. O uso da mesma infraestrutura evitará o adensamento de ERBs ao redor das cidades e, caso adote painéis solares, reduzirá a demanda da energia tradicional. Nas áreas rurais, o ganho pode ser maior, pois combinaria eficiência energética e uso de fontes ecossustentáveis. Apesar do otimismo, é bom lembrar que o Brasil ainda luta com o 4G, cujos números quatruplicaram entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, mas ainda somam cerca de 8 milhões de acessos segundo a Anatel.

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