Em artigo publicado em abril, o CEO da World Cement Association, Ian Riley, analisou as perspectivas para os próximos 25 anos da indústria cimenteira mundial, diante dos desafios ambientais colocados.
O executivo da WCA aborda o tema do fator clínquer como determinante para a definição do setor nos próximos anos. Responsável por 7% das emissões globais de gases de efeito estufa, o setor cimenteiro busca alternativas de redução do clínquer na composição do cimento. Pelos métodos tradicionais, o clínquer representa até 95% da composição do cimento.
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Esta hoje é a próxima rota tecnológica para agregar mais sustentabilidade ao processo de produção do cimento. O uso de combustíveis fósseis para o aquecimento dos fornos de cimento a 1.450 graus já tem alternativa definida na forma do chamado coprocessamento. Os projetos de coprocessamento e substituição de carvão por combustíveis biogênicos já deram um resultado expressivo: segundo Ian Riley, ao longo dos 30 últimos anos, a indústria reduziu em 25% as emissões por tonelada produzida.
Ainda assim, as pressões por produtos “carbono zero” continuam fortes, o que segundo o CEO fará com que a demanda por cimento sofra queda ao longo dos próximos anos. Ele cita como exemplo a substituição do concreto por materiais como madeira em projetos de edificação. Porém, com a baixa disponibilidade de madeira sustentável, as previsões de substituição não chegam a ser catastróficas para o setor.
Desafios e possibilidades
Surge então a pergunta: como dar o próximo passo para reduzir as emissões de gases provenientes da produção de cimento? Uma variedade de soluções vêm sendo testadas. O limite de substituição de clínquer por outros produtos (como cinzas de carvão provenientes de termoelétricas) chegou a 30% em cimentos de baixo clínquer, e segundo ele não deverá passar disso. Assim, há empresas que testam materiais de base biológica e até mesmo processos inteiramente diferentes. Mas nada disso teria ainda, segundo Riley, a escalabilidade industrial necessária para se viabilizar.
A projeção da demanda por cimento feita pela WCA para o ano de 2050 é de cerca de 3 bilhões de toneladas por ano, cerca de 20% menos do que hoje. Riley aponta como causa principal desta previsão a possibilidade de uma forte queda no setor de construção na China, além da maior eficiência na produção de concreto, usando menos cimento nos traços.
Se isto se confirmar, as emissões de carbono provenientes do fator clínquer seriam por volta de 800 milhões de toneladas por ano em 2050, já excluindo as emissões relacionadas ao uso de combustíveis e as possibilidades técnicas de substituição (como coprocessamento).
Assim, o executivo conclui que somando-se as emissões evitadas por coprocessamernto e a menor demanda por cimento, o restante deverá ser abordado por tecnologias de captura e armazenamento de carbono, ou outra tecnologia inovadora que venha a ser desenvolvida. Ele afirma, contudo, que pelos métodos atuais a captura e armazenamento de carbono é complicada e razoavelmente arriscada, o que a torna difícil de escalar industrialmente.


