Ao longo dos últimos cinco anos, estive afastado das feiras de máquinas do Brasil. Outras atividades profissionais me demandaram atenção, e cheguei a pensar que talvez os anos de observação dos mercados de equipamentos de pavimentação, linha amarela, elevação de cargas e pessoas, entre outros, tivessem ficado para trás.
Porém, o jornalismo é uma carreira dada às fortes emoções, o que a nós jornalistas costuma obrigar o exercício da revisitação. Desde meados deste ano, portanto, comecei um processo bastante positivo de revisitar os mercados onde por tantos anos fui repórter e editor de conteúdo para revistas internacionais. E a primeira feirado setor onde tive a oportunidade de testemunhar as novidades foi a Paving Expo 2025.
Sabia que encontraria um setor diferente em relação àquele que cobria até os idos de 2019/2020. Mas o que vi superou em muito as expectativas. Saí da Paving Expo estupefato com o grau de desenvolvimento de algumas empresas brasileiras fabricantes de maquinário para rodovias. E também me senti feliz em ver a presença de players internacionais agora muito reforçada. Em cinco anos, o mercado de máquinas e soluções para pavimentação mudou muito!
Empresas brasileiras
Não conseguiria exagerar o quanto fiquei positivamente surpreso com os avanços conquistados pelas empresas brasileiras deste mercado em tão poucos anos. Em se tratando de uma coluna sobre a feira, faz sentido compartilhar com quem esteve lá ou não por que a surpresa foi tão grande.
No estande da Romanelli, vi que para além de suas tradicionais espargidoras, distribuidoras de asfalto e cimento, e usinas de micropavimento, agora a companhia paranaense está no mercado de vibroacabadoras. E com três modelos, uma para obras rodoviárias e duas para obras urbanas. Antes, não me recordo ao certo quantos modelos de rolo compactador a Romanelli oferecia ao mercado, mas certamente não eram os nove que hoje compõem seu catálogo, entre pata-de-cabra, duplo de chapa, simples com pneu e chapa e rolo com oito pneus.
A IMB Brasil, por sua vez, me espantou (não exagero) ao trazer para a feira uma pavimentadora de concreto de largas proporções, similar ao que sempre vi em feiras internacionais como World of Concrete e Conexpo, em estandes dos nomes internacionais muito conhecidos deste segmento. Aproveitando-se da nova popularidade do pavimento rígido no Brasil, a empresa que antes se limitada a pequenas extrusoras de perfis de concreto hoje é uma player do mercado de pavimentação rodoviária em sistema rígido. E a quantidade de perfis de concreto que ela é capaz de produzir com suas máquinas atende praticamente qualquer necessidade do mercado, seja por barreiras, drenagens, meios-fios e divisórias em geral.
Também na parte de concreto, que surpresa não foi visitar o estande da Convicta, que acompanhei por anos. Em cinco anos, a empresa também passou por uma metamorfose e hoje é uma líder nacional em betoneiras. Na Paving Expo, veio apresentar uma auto-betoneira (implemento de betoneira com auto-carregamento, que funciona como uma dosadora de concreto sobre rodas). Conversando com seus representantes, fiquei sabendo que a Convicta agora participa de obras de pavimentação rígida no Brasil e outros países.
Uma empresa de Santa Catarina da qual, confesso, jamais tinha ouvido falar trouxe à feira seus três modelos de vibroacabadora. É a Locks, que virou indústria meio que por acaso após os donos não encontrarem um jeito tecnicamente interessante para construir a sub-base e a base de pavimentos. De construtora, a Locks passou a fabricante de máquinas e, graças a essa necessidade técnica de sua própria operação como empreiteira, criou uma pavimentadora de bases, nicho que, até onde sei, está disputando sozinha no mercado.
Também pude ver a fabricante gaúcha de usinas de asfalto Margui mostrar ao público suas usinas de asfalto com um novo grau de importância. Em um estande portentoso que antes as empresas brasileiras não costumavam apresentar, trouxe uma usina móvel de 120 toneladas/hora.
A Müller Máquinas, também gaúcha, em cinco anos deixou de ser uma fabricante de rolos compactadores com não mais do que três ou quatro modelos, e se transformou numa provedora de 12 modelos de rolo, dois modelos de retroescavadeira e um modelo de caminhão off-road. Recentes aquisições a permitiram chegar a este patamar.
Esperança no futuro
Por fim, duas empresas vieram com ofertas relativamente similares (espargidoras, usinas de micropavimento), cujos portfólios se diversificaram bastante nos últimos anos: EMAQ e SR Equipamentos Rodoviários. A EMAQ, de Goiás, também manufatura implementos rodoviários para transporte de CAP, uma pequena usina de asfalto e um implemento de vibro acabamento para caminhões, entre outros produtos. Já a SR também se especializa em caminhões para tapa-buraco, distribuidores de agregados e micropavimentos.
Saí da Paving Expo confiante no Brasil. Se em cinco anos as empresas participantes de um mercado tão segmentado conseguiram esse nível de progresso, deve ser porque de fato há um expressivo potencial por aqui. Oxalá os departamentos de obras rodoviárias, em todos os níveis de governo, viabilizem os investimentos públicos e privados que façam todo esse capital se multiplicar.


