As entidades que representam a indústria do cimento ao redor do mundo se uniram para pedir um apoio político mais robusto em prol do coprocessamento como uma resposta ao desafio global dos resíduos não recicláveis e não reutilizáveis. O documento foi assinado pela Global Cement and Concrete Association (GCCA); European Composites Industry Association (EuCIA); International Solid Waste Association – Africa; Mission Possible Partnership; e Global Waste-to-Energy Research and Technology Council (WtERT).
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O coprocessamento utiliza resíduos para substituir combustíveis fósseis no aquecimento de fornos de cimento, enquanto as cinzas restantes podem ser utilizadas no próprio composto do material de construção, tornando-se uma solução de zero resíduos. Este processo integrado maximiza o valor ambiental do tratamento de resíduos e reduz a necessidade de novas infraestruturas de eliminação.
Segundo o portal AggNet, a declaração conjunta apela às instituições internacionais e aos governos nacionais, regionais e municipais para que:
- Reconheçam o coprocessamento nas políticas de gestão de resíduos como uma solução sustentável que proporciona tanto a recuperação de energia quanto a reciclagem de materiais.
- Incentivem a coleta, a triagem e o pré-tratamento de resíduos em nível municipal para garantir fluxos de resíduos consistentes e de alta qualidade para a indústria cimenteira, incentivando a reciclagem de materiais recicláveis e o coprocessamento de materiais não recicláveis.
- Viabilizem um licenciamento ambiental eficiente para permitir que as fábricas de cimento tenham acesso a resíduos adequados.
- Considerem o uso das cinzas utilizadas como matéria para o cimento como uma iniciativa para atingir metas nacionais de reciclagem.
- Ofereçam incentivos fiscais que reconheçam os benefícios ambientais do coprocessamento de resíduos em fornos de cimento, a fim de criar condições equitativas com outras opções de gestão de resíduos e energia.
- Promovam parcerias público-privadas para compartilhar riscos e apoiar a viabilidade de projetos a longo prazo.
Coprocessamento já é realidade para gestão de resíduos em alguns países
O coprocessamento já é reconhecido globalmente, da Europa e Índia à América Latina e América do Norte, como uma prática ambientalmente correta de gestão de resíduos, principalmente para complementar à reciclagem, já que utiliza o lixo que não pode ser reciclado. Ele opera sob rigorosos marcos regulatórios e diretrizes técnicas para garantir altos padrões de segurança, controle de emissões e transparência.
O diretor executivo da GCCA, Thomas Guilott, afirmou que o coprocessamento na indústria de cimento é uma solução segura, eficaz e circular para a gestão de resíduos – uma situação vantajosa tanto para o meio ambiente quanto para as comunidades locais. “No entanto, apesar de seus benefícios comprovados, a adoção mais ampla do coprocessamento depende de marcos regulatórios eficazes e políticas públicas de apoio”, disse.
Ainda segundo ele, algumas fábricas de cimento já substituem mais de 90% dos combustíveis por resíduos por meio do coprocessamento, enquanto muitas partes do mundo não possuem práticas estabelecidas. “Por isso, estamos renovando nossos esforços, juntamente com outras organizações, e apelando para o reconhecimento e apoio ao papel positivo e ao potencial do nosso setor.”
Estima-se que os resíduos gerados pela atividade humana e industrial cheguem a 11,2 bilhões de toneladas anualmente, sendo que a decomposição de resíduos sólidos orgânicos contribui com cerca de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, enquanto os plásticos geram poluição por microplásticos e liberam substâncias perigosas. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o lixo sólido urbano descontrolado poderá dobrar para 1,6 bilhão de toneladas até 2050, caso as práticas atuais persistam. Os signatários da declaração conjunta acreditam que o coprocessamento representa uma resposta prática, escalável e sustentável ao desafio global dos resíduos.


