Semil integra ações para conter mau cheiro na represa Billings

Estratégia prevê ações de saneamento, fiscalização e monitoramento da qualidade da água até 2028

Por Redação

em 11 de Fevereiro de 2026
Foto: Hamilton Breternitz Furtado.

O governo de São Paulo aposta na integração de ações para diminuir o mau cheiro na represa Billings, um dos principais mananciais da região metropolitana da capital do estado. A iniciativa foi discutida na última sexta-feira (6/2) em reunião convocada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da Unidade Regional de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (URAE 1 Sudeste), com a participação de órgãos estaduais e municipais, forças de segurança, concessionárias de saneamento e representantes da sociedade civil.

O problema é classificado como estrutural e está associado ao lançamento irregular de esgoto, à ocupação desordenada do solo e à degradação ambiental no entorno do reservatório. Esses fatores têm impacto direto na qualidade da água e estão na origem dos episódios recorrentes de odor intenso registrados na Billings.

A proposta da Semil é evitar a fragmentação de iniciativas entre diferentes órgãos e ampliar a efetividade das ações. A articulação envolve instituições como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a Sabesp, a Polícia Militar Ambiental, a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e a Prefeitura de São Paulo.

As discussões integram o Plano de Ação Integrado para a Billings, iniciado neste mês, que prevê um cronograma escalonado de medidas até 2028, estruturadas em eixos como saneamento básico, fiscalização ambiental integrada, monitoramento da qualidade da água e zeladoria urbana.

Esgoto é o principal causador de mau cheiro da represa Billings

Dados técnicos apresentados no encontro indicam que determinadas áreas da Billings concentram cargas elevadas de fósforo, substância ligada ao despejo de esgoto doméstico e ao processo de eutrofização da água, que favorece a proliferação de algas e intensifica o mau cheiro. Em alguns trechos, a carga poluidora chega a ser até quatro vezes superior ao limite ambientalmente adequado.

Com base nesses indicadores, o governo estadual definiu áreas prioritárias para uma primeira fase de intervenções, inicialmente concentradas no município de São Paulo. A expectativa é ampliar gradualmente o programa para outros municípios da bacia, com monitoramento periódico dos resultados e atualização contínua dos dados técnicos.

Durante a reunião, a Sabesp apresentou ações previstas no contrato de universalização do saneamento até 2029, incluindo investimentos em áreas consideradas vulneráveis, considerando o contrato de concessão vigente. Paralelamente, órgãos ambientais e forças de segurança detalharam a atuação conjunta para coibir novas ocupações irregulares no entorno da represa, frequentemente associadas ao agravamento da poluição do manancial, destacando o papel da integração das ações.

Fiscalização deve ser ampliada

A promessa é de que a fiscalização seja ampliada a partir de março, com integração à Operação Integrada de Defesa das Águas (Oida) e, em uma fase posterior, ao Grupo de Fiscalização Integrada (GFI), com alcance estendido a outros municípios da bacia.

O monitoramento ambiental inclui a atualização do MQUAL, modelo que relaciona uso do solo e qualidade da água, incorporando dados mais recentes sobre esgotamento sanitário e cargas poluidoras. Os resultados devem orientar a priorização de investimentos e a avaliação do cumprimento das metas ambientais previstas na legislação de proteção aos mananciais.

Saneamento e limpeza são outras ações que serão integradas

No eixo de saneamento, o cronograma prevê intervenções de curto, médio e longo prazos. Já em 2026, foram identificados núcleos informais que integram a nova fase de atendimento, com obras de coleta e tratamento de esgoto em execução neste mês de fevereiro e conclusão prevista para outubro. Outras etapas incluem a identificação de novos núcleos até 2028, com ampliação da cobertura de saneamento na bacia, além do retrofit de estações elevatórias e ações permanentes de manutenção da rede.

A Prefeitura de São Paulo responde pelo eixo de zeladoria urbana, com atividades contínuas voltadas à limpeza e conservação de áreas públicas no entorno da represa. O plano também prevê a consolidação de um sistema permanente de governança para a Billings, com reuniões periódicas e definição clara de responsabilidades, na tentativa de institucionalizar o acompanhamento das ações e acelerar respostas a episódios críticos, como os registrados em períodos de estiagem ou de altas temperaturas.

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