Mais digital, setor elétrico busca soluções para risco cibernético

Com mais de R$ 30 bilhões anuais de investimento em tecnologia, distribuidoras precisam encontrar formas de integrar TI e operação sem comprometer a segurança

Por Redação

em 20 de Março de 2026

Segundo a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), os investimentos anuais das distribuidoras em modernização e digitalização da rede superam R$ 30 bilhões. Os recursos foram gastos principalmente em automação, monitoramento de subestações e segurança cibernética, como forma de integrar a infraestrutura crítica, conectividade e segurança. O cenário implica em desafios para o setor elétrico, como a necessidade de tornar o serviço mais eficiente com a tecnologia ao mesmo tempo em que se tenta evitar os riscos que o ambiente digital traz.

Como explica Guilherme Marcial, diretor comercial e de marketing da Teletex, o principal risco da digitalização de subestações de energia é a propagação de impactos entre a rede de TI e a rede operacional (TO). Caso um ciberataque ocorra, ele pode atravessar sistemas, afetar serviços digitais e gerar impacto direto em clientes e receita. Segundo ele, os principais desafios envolvem proteger infraestruturas críticas altamente distribuídas, muitas vezes baseadas em sistemas legados, ao mesmo tempo em que se ampliam conectividade e acesso remoto.

Observabilidade surge como resposta para um setor elétrico mais digital

Para responder a esse dilema na integração da TI/TO, a proposta da Teletex é correlacionar dados desse dois ambientes em tempo real para diagnosticar e investigar falhas ou mesmo eventos anômalos antes que causem indisponibilidade. O nome deste conceito é observabilidade e usa soluções de IA para reduzir o tempo de resposta e o impacto operacional. “Isso permite entender não só o evento técnico, mas seu contexto e impacto, facilitando a identificação do problema, correlacionando com todo o ambiente e gerando uma visão completa da falha”, detalha Marcial.

Guilherme Marcial, diretor comercial e de marketing da Teletex (foto: divulgação).

A inteligência artificial tem papel fundamental nesse processo, pois amplia a capacidade de análise em escala, identificando padrões e anomalias e priorizando eventos com maior impacto. “Ela vai apoiar decisões mais rápidas e assertivas. Também pode ser utilizada para realizar ações pré-definidas atuando como um nível um quando um incidente é detectado”, completa.

Regulamentação traria maior garantia de segurança

A ampliação desse modelo de monitoramento é o desafio pessoal da Teletex, já que cabe às distribuidoras ter a maturidade para adotar essas tecnologias. O executivo cita o papel do Estado nessa questão, que pode definir requisitos mínimos de visibilidade para o setor, estabelecer regras para integração entre ambientes de TO e TI e padronizar o reporte de incidentes. Marcial também cita a necessidade de regulamentar métricas claras de resiliência operacional e testes periódicos de resposta a incidentes para garantir a segurança de todo o sistema.

Leia mais

    Os assuntos mais relevantes diretamente no seu e-mail

    Increva-se na nossa newsletter e receba nossos conteúdos semanalemnte

    Aceito receber a newsletter por email