Aperte o play, e comece a obra!

Por Rodrigo Conceição Santos (De Las Vegas – 05.02.2016) –

Sistemas de automação são o futuro na operação de equipamentos como auto-betoneiras, bombas de concreto e tratores de esteiras.

Foto Topcon
Foto Topcon

Quando o assunto é otimizar, os norte-americanos são realmente inventivos. E isso vale também para equipamentos pesados, como mostraram algumas empresas durante esta semana na World of Concrete – que ocorre em Las Vegas e com cobertura do InfraROI. O primeiro exemplo, da Topcon, é também o sinal de que as barreiras entre nichos de mercado, como telecomunicações, construção e mineração, estão cada vez menores e a tendência é que as facilidades já existentes em determinados setores passem aos poucos a integrar toda a cadeia produtiva para infraestrutura.

Foi assim que a expertise de TI e telecom veio à tona na Topcon para melhorar a operação de tratores de esteiras. Sabendo das aplicações de controle operacional (veja notícia sobre esse tipo de tecnologia), nas quais a utilização de mastros posicionados na lâmina do trator emitem informações para um prisma gerenciar nivelamento da terraplanagem e outros predicados do equipamento, a empresa resolveu tornar esse processo mais wireless. “Então criamos a novidade, que consiste em fazer isso sem a necessidade de mastros e de cabos ligando-os ao equipamento”, diz Jamie Williamson, vice-presidente executivo e gerente geral da Topcon Precision Automation. Segundo ele, isso é melhor para a visibilidade do operador e para a segurança da operação em locais onde os cabeamentos podem, por exemplo, enroscar com objetos externos.

Denominada 3D-MC, a tecnologia utiliza o sinal de GPS para fazer o prisma e as informações são enviadas diretamente de sensores posicionados de forma estratégica embaixo das esteiras e do lado da lâmina.

Os dados são enviados para o display do sistema, que fica na cabine e oferece informações em forma de letras, figuras e gráficos ao operador. “Esse sistema é resultado do nosso entendimento sobre a evolução do mundo da construção e do nosso foco em melhorar os algoritmos inteligentes no firmware e no software para incrementar produtividade”, diz Williamson. “O benefício dela é uma integração clara do operador dentro da cabine, de modo que ele não precisa instalar e remover mastros, antena e cabos diariamente”, completa ele.

Controle total do balão
IMG_3495A automação em equipamentos móveis é também uma das novidades da Schwing-Stetter. Buscando uma forma de atender às normas americanas de produção e mistura de concreto, a engenharia da empresa pensou em amarrar, sistemicamente, todo o ciclo de mistura do balão da auto-betoneira. E conseguiu, com uma tecnologia chamada SCT.

Entre as concorrentes do prêmio de inovação que deve ser concedido pela World of Concrete nesta quinta-feira (04.02), a solução necessita apenas de um “play” do operador para começar a controlar tudo que acontece durante a mistura do concreto na betoneira. “Após acionado o SCT, o balão, ainda parado, começa a girar na rotação ideal para a qualidade da mistura do concreto, de acordo com o que rege a normatização norte-americana”, diz Luiz Polachini, gerente comercial da Schwing-Stetter. “Mas, quando o caminhão começa a andar, a tecnologia ajusta automaticamente essa rotação de acordo com o tempo previsto para a viagem”, completa.

Outra situação de exemplo é quando o caminhão está subindo uma ladeira. Nessa circunstância, não é incomum que o concreto caia para fora do balão, gerando desperdício e todos os problemas de limpeza urbana e ambientais atrelados a isso. “Novamente, o sistema, automaticamente, entra em ação, jogando, nesse caso, a mistura mais para o fundo do balão, a fim de evitar o derramamento”, explana Polachini.

Pelo fato de fazer com que o balão gire somente o necessário, a unidade norte-americana da Schwing-Stetter (que é praticamente o dobro da brasileira, com 350 funcionários atualmente) mediu que os balões podem durar até duas vezes mais ao não sofrerem desgaste excessivo em suas paredes. “Além disso, a homogeneidade da mistura é garantida de acordo com as normas e ainda é possível economizar até 15% de combustível, em comparação à operação tradicional e sem controle”, completa o executivo.

Mais controle na concretagem
eaton-omnex-remote-control_11263034A Eaton, que é parceira da Schwing-Stetter no fornecimento de alguns componentes de motorização, também acredita que a automação é o futuro quando se fala em equipamentos para produção e distribuição de concreto. Por isso, ela está apresentando o Omnex Truested, que consiste na emissão de dados por rádio frequência para operação de máquinas.

O sistema é dotado de transmissores de controle móvel para ser operado à distância, e de receptores, que vão nos equipamentos e possuem algumas características de proteção para resistir a operações mais pesadas, como as que demandam concreto. Assim, a empresa acredita que há um extenso campo de aplicação em equipamentos como bombas-lança de concreto, com as quais seria possível a operação à distância, provendo segurança e produtividade.

Segundo Moe Dais, gerente de linha de produtos da Eaton, as soluções para controle de operação à distância têm ganho mercado mundialmente por reduzir a exposição dos operadores a riscos de acidentes e por permitir melhor gerenciamento do usuário fora da cabine do equipamento. “O Omnex tem sido bastante usado nos mercados de mineração e construção, principalmente em guindastes móveis, empilhadeiras e máquinas da linha amarela de construção”, finaliza Dais.

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