Armazenagem horizontal viabiliza grauteamento nas obras do Metrô Carioca

Linha 4 do Metrô do RJ adota tecnologia diferenciada para armazenar cimento e bentonita usados para grauteamento.

Por Rodrigo Conceição Santos – 22.06.2015

Tatuzão usado nas obras da linha 4 do metrô no Rio de Janeiro

A linha 4 do metrô do Rio de Janeiro deve entrar em operação no primeiro semestre do ano que vem e as obras para sua construção combinam técnicas de duas soluções distintas para obras de túneis: o método austríaco de escavação (NATM), que se resume a perfuração, detonação e acabamento das paredes do túnel, e a perfuração por Tunnel Boring Machine Earth Pressure Balanced (TBM, ou tatuzão, como é popularmente conhecido). Na segunda tecnologia, com a qual Alexandre Mahfuz, gerente de contrato da Linha 4, atua, estão em construção os túneis que ligam as estações General Osório (Ipanema) e a Gávea, e é onde estão as principais inovações tecnológicas da obra, como o próprio tatuzão e a adoção de silos horizontais para armazenamento de cimento e betonita usados na confecção do graute.

O tatuzão, produzido sob medida pela fabricante alemã Herrenknecht para operar nas obras do metrô do RJ, pesa 2,7 mil toneladas e tem 123 metros de comprimento, por 11,4 m de diâmetro. Segundo Mahfuz, ele representa o método mais adequado para atuar na região, onde o solo é um misto de areia, água e rocha, além de os túneis cruzarem áreas densamente povoadas.

Grauteamento
Ao mesmo tempo em que escava, o Tatuzão instala aduelas (anéis de concreto que dão sustentabilidade ao túnel). Ocorre que entre as aduelas e o solo, sobra um espaço, que é preenchido por graute – uma espécie de argamassa composta por cimento, areia, água, quartzo e aditivos especiais. O graute é a matéria prima para realizar o grauteamento, que nada mais é do que o processo de preenchimento desse espaço anelar deixado pelo TBM. E foi justamente nesse processo que a obra inovou no sistema de armazenamento.

Os componentes necessários para o grout se mostraram uma problemática na medida em que seu armazenamento dentro do túnel não era possível por meio de silos convencionais, devido à limitação de altura. “Os silos horizontais foram a solução encontrada, dado que tínhamos a necessidade de instalar a central de graute, que utiliza os silos, dentro do túnel”, diz Mahfuz.

Os três silos horizontais em questão foram desenvolvidos sob medida pela RCO, fabricante da tecnologia, e dois deles armazenam cimento e um armazena bentonita (uma espécie de lama usada para contenção de solos).

Leonardo Cavalcante, coordenador comercial da RCO, acredita que a tecnologia de silo horizontal da empresa foi escolhida porque a empresa incorpora know how europeu e, diferente de outros modelos comercializados no mercado brasileiro, não apresenta problemas para realizar a descarga de materiais.

Tecnologia

Silo Horizontal

Silo Horizontal

O silo horizontal, segundo ele, é uma alternativa valiosa para as plantas que têm limitação de altura e, portanto, não podem adotar silos verticais, caso da Linha 4 do Metrô carioca. “Disponível em modelos de 47 a 150 toneladas de capacidade de armazenamento, o equipamento é indicado para armazenagem de cimento, cal, areia, bentonita, sílicas e diversos outros tipos de materiais em pó”, informa a fabricante. “Eles podem ser utilizados em conjunto com centrais de concreto, ou aplicados isoladamente, no processo produtivo do cliente”, completa Leonardo Cavalcante.

O especialista lembra que a eficiência do equipamento é garantida por um sistema diferenciado de extração de material, onde o processo é realizado através de rosca transportadora tipo calha. Essa tecnologia ofereceria escoamento perfeito do material devido ao contato que ele tem com a rosca transportadora ao longo de todo o percurso do helicoide (hélice), presente na parte inferior do silo.

Além disso, garante o especialista, o design do silo horizontal facilitaria o escoamento do material para a rosca transportadora e isso supriria o efeito da gravidade, que dá a eficiência dos silos verticais. “A mobilidade é a principal vantagem desse equipamento e ela existe porque as ligações elétricas e pneumáticas são feitas na nossa fábrica, permitindo que o silo siga pronto para a montagem no destino”, diz.

Com uso dessas soluções de engenharia, a linha 4 do metrô do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca—Ipanema) deve transportar, a partir de 2016, mais de 300 mil pessoas por dia, retirando das ruas cerca de 2 mil veículos por hora durante o rush. Serão seis estações (Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Antero de Quental, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz) e aproximadamente 16 quilômetros de extensão.

 

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