Brasil inicia reconstrução de estação na Antártica

Da Redação – 20/01/2017 –

Orçada em 99,6 milhões de dólares, a nova base permanente de pesquisa do país no continente será construída pela estatal chinesa CEIEC e deve ser inaugurada em 2018.

Uma equipe composta por pedreiros, técnicos e engenheiros deu início, este mês, à reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz (EAFC), desativada desde o incêndio que destruiu suas instalações, em 2012. Em dezembro último, os equipamentos necessários à realização das obras, vindos da China, desembarcam no continente mais frio e seco do planeta, com a previsão de se concluir o projeto ainda no primeiro semestre de 2018.

Com isso, o Brasil voltará a contar com uma base permanente para pesquisas científicas na Antártica, algo considerado estratégico para o posicionamento global do país em termos de desenvolvimento tecnológico e até mesmo de geopolítica. Orçada em 99,6 milhões de dólares, a nova base será sendo construída pela empresa estatal chinesa CEIEC (Corporação Chinesa de Importações e Exportações Eletrônicas).

Ela terá uma área de aproximadamente 4,5 mil metros quadrados, contando com 17 laboratórios, ultrafreezers para armazenamento de amostras e materiais usados nas atividades científicas, setor de saúde, biblioteca e sala de estar. A área de pesquisa científica foi projetada para atender a uma multiplicidade de exigências, com prioridade para os projetos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). Cerca de 300 pesquisadores realizam estudos na região a cada ano. Na primeira fase da obra serão instalados todos os blocos de sustentação dos módulos que irão abrigar os laboratórios, refeitórios, oficina e dormitórios.

Todo o custo da obra, desde a infraestrutura à logística, é financiado pela Marinha do Brasil e pelo Ministério da Defesa. Já o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações financia as pesquisas e os cientistas mantidos na base. “Tudo vem montado da China e três fiscais ambientais brasileiros acompanham os trabalhos para garantir uma obra com respeito ao meio ambiente”, afirma o capitão de Mar-e-Guerra Geraldo Juaçaba, coordenador do projeto de reconstrução e fiscalização da estação.

O oceanógrafo Ronald Buss de Souza, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e chefe do Centro Regional-Sul de Pesquisas Especiais do instituto, em Santa Maria (RS), destaca que a estação atesta a posição do Brasil como um dos signatários do Tratado Antártico, que, entre outras coisas, proíbe o uso militar do continente e do oceano circunvizinho, chamado de Oceano Austral – e não Oceano Antártico, como muitas pessoas o denominam.

Na estação são desenvolvidas pesquisas relacionadas ao monitoramento de fenômenos da alta atmosfera, como sua temperatura e ondas gravitacionais, ao monitoramento da dinâmica do buraco de ozônio atmosférico e dos raios ultravioleta; de parâmetros atmosféricos de superfície; inventários de fauna e flora locais (ambos terrestres e marinhos); qualidade do ar, impactos ambientais locais (contaminação de solos) e outros.

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