Bueiro antienchente ou apenas coletor de resíduos sólidos?

Por Jorge Paixão – 19.07.2017 –

O equipamento evita que resíduos sólidos entrem no sistema de drenagem e venham a poluir o corpo receptor que recebe essas águas. A adoção do sistema pode ser uma vantagem econômica, reduzindo a frequência de limpeza.

A cidade de São Paulo sancionou uma lei para a utilização de um bueiro antienchente para minimizar os danos causados pela chuva. Será que essa estrutura irá realmente reduzir as enchentes e inundações na cidade? Antes de responder essa pergunta devemos primeiro entender o tal bueiro antienchente. Essa estrutura nada mais é que uma cesta perfurada para a passagem da água e retenção de resíduos sólidos. Além disso, é acoplado um sensor que mostra quando essa cesta deve ser esvaziada.

A origem das enchentes na cidade de São Paulo é uma relação intrínseca entre a quantidade de chuva, ou seja, a precipitação, e a impermeabilização do solo urbano. Praticamente toda água que cai em solo paulistano irá escoar no solo, no entanto, o ideal seria que parte dessa água infiltrasse no solo. O bueiro também conhecido tecnicamente como boca de lobo é apenas uma parte de um sistema de drenagem e o seu funcionamento inadequado devido à presença de resíduos sólidos não pode ser o vilão da história. Na cidade de São Paulo vêm ocorrendo precipitações acima da média histórica, assim todo o sistema de drenagem deve ser reformulado para o problema em questão.

O bueiro antienchentes apenas evita que resíduos sólidos entrem no sistema de drenagem e venham a poluir o corpo receptor que recebe essas águas. A adoção desse sistema pode ser uma vantagem econômica reduzindo a frequência de limpeza dos bueiros.

Como sugestão para a prefeitura de São Paulo deveria ser estudado mecanismo de reter a chuva em nossas residências, como o aproveitamento da água de chuva. Além disso poderia ser utilizado também telhados verdes. Para incentivar a captação da água de chuvas ou dos telhados verdes a prefeitura de São Paulo pode criar o IPTU verde com o abatimento para aqueles que fazem uso desta estrutura. A utilização de água da chuva irá reduzir a demanda de água do sistema Cantareira. A criação de um IPTU verde é um convite para população participar ativamente nos problemas da cidade e assim contribuir com o meio ambiente. Investir recursos públicos nessa tecnologia do bueiro antienchentes é como tomar um placebo pensando que é remédio.

Infelizmente uma minoria da população ainda tem o hábito de jogar lixo nas vias públicas e isso precisa acabar. Algumas cidades adotaram a multa como mecanismo de coibir, no entanto, parece não ter surtindo o efeito desejado. Somente iremos mudar essa situação com Educação e Planejamento. Um povo educado e consciente irá reduzir o consumo e a geração de resíduos sólidos, consequentemente os problemas de disposição dos resíduos sólidos. O planejamento da limpeza das bocas de lobos fica a cargo da prefeitura. A prefeitura deve planejar a frequência de limpeza e verificar quais são os pontos na cidade com maior incidência de resíduos nas “bocas de lobos” e buscar soluções para evitar que isso ocorra novamente.

*Jorge Luiz da Paixão Filho é professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Presbiteriana Mackenzie campus Campinas.

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