Capivaras na pista: recolham as aeronaves

Por Rodrigo Conceição Santos – 4 de abril de 2014

Um novo aeroporto em São Paulo desafogaria a malha aeroportuária. Melhor seria se ele tivesse capacidade para um bom volume de pousos e decolagens. Que tal, quem sabe, atendendo 20% da demanda paulista por voos? Com investimento privado, um empreendimento desse tipo atenderia mais rapidamente à demanda, com menos riscos de atrasos no cronograma de obras, diferente do que ocorre na maioria das obras públicas. Esse projeto, acredite, existe, e funcionaria a partir de junho deste ano, atendendo, inclusive, o tráfego aéreo gerado pela Copa do Mundo. Mas a decolagem atrasou, pois levantaram capivaras do meio da pista.

O Projeto Catarina, na cidade de São Roque, é um complexo urbanístico que inclui aeroporto privado com capacidade para receber até 200 mil voos anualmente, além de um shopping outlet, dois edifícios comerciais e espaço para outros empreendimentos. As obras iniciaram em 2012, mas foram embargadas por mais de um ano, como conta reportagem da Revista Exame, de dezembro de 2013. Em suma, os moradores do entorno pediram o embargo, clamando por sossego e preservação de vegetais e amimais como as capivaras que habitam o local (veja reportagem da Exame).

Negócios são Negócios, capivaras à parte
Do outro lado da mesa, a JHSF, dona do empreendimento, realizou várias reuniões para evitar o embargo, mas não obteve sucesso e sofreu consequências. A empresa perdeu, por exemplo, 50% da sua receita entre 2012 e 2013. A receita foi de R$ 1 bilhão em 2012 e a diretoria afirmou à Exame que a perda não foi exclusivamente por conta do Catarina, mas sim pela mudança no enfoque, já que a JHSF está migrando de incorporadora imobiliária para empreendedora de projetos urbanos integrados.

Com o Catarina, contudo, agora há a chance de recuperar o atraso, pois as autorizações necessárias para a obra foram dadas em janeiro. A empresa afirmou ao InfraRoi que recebeu a Licença de Instalação, documento que autoriza a construção do aeroporto, além da aprovação do Consema (Conselho de Meio Ambiente) e da SAC (Secretaria de Aviação Civil) para a realização do projeto.

A JHSF não revelou o valor previsto para o investimento, porém, reportagens de O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo consensuam em R$ 500 milhões e o novo prazo para término das obras é o segundo semestre de 2015.

Quando concluído, o aeroporto, sozinho, ocupará uma área de 2 mil m² e terá duas pistas: uma de 2.470 metros e outra de 2 mil metros, além de áreas destinadas a hangares, oficinas de manutenção de aeronaves, torres de controle, terminal de passageiros e heliponto. Para efeito de comparação, a pista principal é maior do que a de Congonhas e pode ser escape até para boings para casos de caos aéreo na capital paulista.

Cruzando dados
O InfraRoi avaliou a malha aeroportuária brasileira e paulista, concluindo que o Catarina, operando em plena capacidade, pode atender até 20% da demanda por voos em São Paulo. E com função estratégica ao retirar pousos e decolagens de aviões particulares dos aeroportos maiores como Congonhas e Guarulhos. Certo que essa conta tem outra equação, já que a desativação do Campo de Marte impactará ainda mais no déficit do setor.

Todavia, a situação atual é que a Infraero administra 63 aeroportos no Brasil. Em 2012, de acordo com o seu relatório anual consolidado, esses aeroportos receberam mais de 3 milhões de pousos e decolagens, sendo que 20% deles (cerca de 600 mil) ocorreram em São Paulo, no Campo de Marte, Congonhas, Guarulhos e São José dos Campos. Ainda em São Paulo, o Departamento de Aviação do Estado (Daesp) administra outros 26 aeroportos espalhados por cidades do interior e que receberam, no mesmo ano de 2012, mais 516 mil voos.

Ou seja, pousam e decolam em São Paulo, anualmente, mais de 1,1 milhão de aviões. Com a capacidade de 200 mil voos, o Catarina poderá atender quase 20% dessa demanda, tornando-se um novo importante polo aeroportuário para o Estado.

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