Como será uma obra de escavação em 2030?

Rodrigo Conceição Santos – 05 de julho de 2021 – Associação dos Estados Unidos mostra como as novas tecnologias devem transformar essa atividade na próxima década.

Prever o futuro pode ser ingrato, mas vislumbrar não é. Foi o que fez a Common Ground Alliance (CGA), dos Estados Unidos, entidade que tem como foco as atividades subterrâneas de empresas de prestação de serviços públicos, as chamadas utilities. Nunca é demais lembrar que grande parte dessa infraestrutura está enterrada, de cabos ópticos para telecomunicações à rede de esgoto e água, passando inclusive pela malha de energia elétrica em vários centros urbanos históricos. Os recursos podem prevenir danos a essas redes e preservar a continuidade de serviços.

O novo relatório da CGA é, na verdade, uma compilação de quatro outros documentos anteriores, focados em tecnologia e indicando três fases de escavação: pré-construção, construção e pós-construção. No primeiro, as empreiteiras terão equipamentos que recebem uma pré-programação de escavação a partir de arquivos digitais protegidos por senha ou QR code. Esses arquivos contém dados como mapas, fotos e instruções especiais.

Na etapa de construção, o arquivo digital é carregado na tela das máquinas de escavação e aparece na tela da cabine. As máquinas são equipadas com sensores nas caçambas que avisam o operador quando estão perto de uma linha enterrada. Esses sensores e linhas enterradas são conectados, talvez por Bluetooth, RFID, satélites GPS ou outra tecnologia. Se a máquina ficar muito perto de uma linha crítica, ela pode ser configurada para desligar ou congelar automaticamente seus controles.

As informações centralizadas no arquivo digital, que funciona como um bilhete único, definem cercas eletrônicas georrefenciadas que cercam o perímetro do local de trabalho, alertando o operador se eles se deslocarem a uma certa distância de uma linha enterrada ou sobre o perímetro. Os alertas podem ser enviados a todas as partes interessadas e, além disso, o sistema também pode enviar alertas quando um tíquete precisa ser renovado.

O arquivo digital também poderá ser carregado em um drone, permitindo que todas as partes monitorem o que as câmeras do drone estão mostrando e se comunicando com o operador em tempo real. O operador também pode direcionar o drone com controles ativados por voz.

Finalmente, na etapa de pós-construção, todas as instalações não-marcadas, marcadas erroneamente ou abandonadas que forem encontradas durante o projeto, podem ser mapeadas pelo drone usando radar de penetração no solo integrado (GPR) ou fotos. Essas informações, então, são verificadas pelos operadores das instalações, permitindo que eles atualizem seus arquivos conforme necessário.

Há várias dessas iniciativas que já acontecem mundialmente, mostrando que o cenário acima pode ser atingido em menos de dez anos. Um exemplo é a Sawback Technologies, que usa um GPRS leve e montável e acima do nível do solo e potencialmente montado em drones. O sistema de Sawback mapeia e integra os dados em uma camada visual, que pode ser visualizada no Google Maps. A empresa pretende tornar os mesmos dados acessíveis no formato de nuvem de pontos, permitindo ferramentas com capacidade de visualização dos dados em 3D.

No Brasil, soluções de cerca eletrônica, como o E-Fense, da Caterpillar, já equipam escavadeiras de 20 a 36 toneladas desde 2018. Trata-se de um limitador dos raios de giro inferior, superior e laterais do equipamento. Com isso, estipula-se um raio de atuação que nem mesmo o operador poderá ultrapassar, sem antes reprogramar o sistema. Isso protege o próprio 0operador de erros que podem ser fatais, como um choque do braço da escavadeira com uma fiação de alta tensão ou com veículos circulando na estrada ao lado.

Outra experiência real é a da OnePlace da Unearth Technologies, que tem uma plataforma de gerenciamento de trabalho baseada em mapa e que permite aos usuários capturar, acessar e compartilhar dados de qualquer lugar. A tecnologia está sendo aplicada a um programa de detecção e mitigação de furo cruzado. Teoricamente, também poderia ser aplicada para rastrear instalações abandonadas, locais de danos e quase acidentes, juntamente com escavações anteriores.

Já o programa ScreenAccess, da PelicanCorp, usa uma solução automatizada para processar solicitações de localização, comparando a localização do trabalho com a localização da rede dos operadores das instalações. Os tickets são categorizados com base no trabalho que está sendo executado e na natureza do ativo potencialmente em risco. Os empreiteiros recebem um e-mail descrevendo os requisitos para trabalhar dentro e ao redor das instalações enterradas, mostrando que a escavação do futuro, de fato, já começou.

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