Conectar Agro se torna associação com Gregory Riordan na presidência e meta de conectar 13 mi de hectares até 2021

Rodrigo Conceição Santos (InfraDigital)– 02.07.2020 –

O Conectar Agro foi fundado por um grupo de oito empresas com o intuito de ampliar a conectividade nos campos agrícolas. Essas empresas ofertam tecnologias, serviços e cobertura de telecomunicações para integrar o ecossistema da conectividade. Ontem, elas anunciaram a formatação de uma entidade de classe (associação) do Conectar Agro, na qual Gregory Riordan, executivo do Grupo CNH e um dos idealizadores do projeto, é o presidente. Segundo ele, já há outras 35 empresas em processo de filiação e a ampliação desse rol deve contribuir para a meta de levar conectividade a 13 milhões de hectares até 2021.

Em 2019, conforme relatou o InfraROI na reportagem especial sobre Digitalização de Equipamentos de Construção (veja aqui), o Conectar Agro conectou 5,1 milhões de hectares. Isso corresponde a cerca de 8% do território agrícola do país. “São projetos customizados”, adianta Alexandre Dal Forno, head de marketing corporativo e IoT da TIM Brasil.

A TIM é a única operadora de telecomunicações do Conectar Agro até o momento e foi quem realizou a implantação de redes 4G LTE (na frequência de 700 MHz) nesses locais. Dal Forno explica que a customização pode incluir sensoriamentos, equipamentos pesados e outras tecnologias, dependendo da demanda do agricultor. “Com a Citrosuco, por exemplo, criamos uma solução de gestão de frota para os caminhões que levam o concentrado de suco da fábrica até o porto. É possível incluir os parceiros do próprio Conectar Agro, que têm soluções de sensoriamento e usam essa rede, nos projetos. Mas, obviamente, o grande desafio é a cobertura, sendo que as demais soluções ajudam a viabilizar economicamente o projeto customizado para uma fazenda ou uma região”, explica.

A viabilidade econômica é traduzida em sacas de soja pelo Conectar Agro. Segundo Mateus Barros, da Climate FieldView, o custo médio é de maia saca de soja para cada hectare conectado. “Isso depende de variáveis, como a topografia”, diz. O retorno sobre o investimento também é variável, mas há estudos do Grupo CNH apontando economia de até 2,5 sacas por hectare em fazendas que utilizam a digitalização com eficiência.

Entre as ações de eficiência estão a pulverização das lavouras e a leitura de dados dos equipamentos em tempo real. “Fazendo a gestão eficiente da pulverização, em tempo real, evita-se a sobreposição de aplicação e o agricultor pode economizar mais de cem mil reais numa safra”, quantifica Cristiano Pontelli, gerente de projetos da Jacto.

O 4G como pilar do projeto
Os projetos do Conectar Agro já foram aplicados em 218 cidades, espalhadas pelo Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Oeste baiano, região de Balsas (Maranhão), Tocantins e São Paulo. Segundo Leonardo Finizola, diretor de novos negócios da Nokia, o avanço decorreu da escolha do 4G como solução de cobertura e o executivo explica que a tecnologia cobre uma área de até 35 mil hectares por site, algo que dificilmente outras soluções alcançariam. “A propagação do sinal de telecomunicações é explicada pela física: quanto mais alta a frequência, menor a área que ela é propaga. E no campo o grande desafio é área de cobertura”, diz ao comparar a eficiência do 4G e do 5G para o projeto.

Questionado sobre a velocidade de transmissão de dados, ele explica que, com o 4G já é possível atender demandas de veículos autônomos. “Adicionando Edge Computing às redes, temos a velocidade de 220 megabits por segundo, o que é suficiente para limitar delay a 10 milisegundos e atender com segurança as operações de veículos autônomos, por exemplo”.

Alexandre Del Forno, da TIM, complementa que mesmo com o advento do 5G, que deve demorar a chegar nos intereriores, os projetos do Conectar Agro estarão passíveis de atualizações de rede, já que essa será uma evolução das redes LTE, aplicadas no 4G.

Para Gregory Riordan, a opção pelo 4G leva ainda em consideração a internacionalização do Conectar Agro, já que 95% do território latino-americano tem legislação favorável e cadeia de fornecimento para a tecnologia.

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