Descarte irregular de plástico complica infraestrutura de água e esgoto no Brasil

Redação – 27.01.2021 –

A pandemia do novo coronavírus e o isolamento social também influenciou no descarte maior e irregular de materiais plásticos nas redes de água e esgoto no Brasil. De acordo com o relatório Atlas do Plástico, publicado pela fundação alemã Heinrich Böll, o uso de máscaras descartáveis e as embalagens de alimentos utilizadas em serviços de entregas estão entre os fatores que contribuíram com esse cenário. Já a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), aponta que, em comparação com 2019, foi registrado um aumento de 25% a 30% na coleta de materiais recicláveis no Brasil apenas durante o período da pandemia.

A preocupação afeta diretamente as concessionárias, caso da BRK Ambiental, responsável pelos serviços de esgoto em Mauá (SP). Em 2019 a Concessionária retirou mais de 83 toneladas de lixo do sistema de esgoto de Mauá e 300 toneladas de areia. Já em 2020, por meio das atividades de manutenção e limpeza preventivas, a concessionária retirou 108 toneladas de lixo e 344 toneladas de areia das redes de esgoto do município, além de realizar a limpeza de 85 quilômetros de tubulações, maior volume no período desde o início da concessão, em 2003.

De acordo com ela, é frequente encontrar resíduos de construção civil (pedras, resto de cimento, madeira, plástico, papelão, sacos etc.) e descartes de banheiro (papel higiênico, fio dental, preservativos, cabelo, cotonetes, tecidos, sacos plásticos etc.). A areia é retirada de forma preventiva, pois o seu acumulo pode provocar eventos de obstrução da tubulação nas ruas da cidade, além de resíduos de cozinha que são descartados irregularmente, como restos de comida e, principalmente, óleo e gordura.

“É importante conscientizar a população a respeito do tema e lembrar que as redes de esgoto são projetadas para receber apenas 1% de resíduos sólidos e 99% de líquidos. Quando uma pessoa descarta um resíduo sólido em uma tubulação, como ralos ou vaso sanitário, isso pode resultar em entupimentos, vazamentos e até mesmo provocar o retorno do esgoto ao imóvel”, explica Bruno Gravatá, gerente Operacional da BRK Ambiental em Mauá.

A BRK Ambiental reforça que o processo de tratamento do esgoto tem como objetivo remover o material sólido, organismos patogênicos característicos do esgoto bruto, além de reduzir a carga orgânica e compostos químicos indesejáveis para níveis adequados aos da legislação vigente. O excesso de lixo nas redes pode provocar impactos em todo o sistema de saneamento, além de transtornos à população.

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