Digitalização impacta positivamente na construção

Jean Ferrari – 04.08.2021Os benefícios superam os receios de investimentos. A redução de custos e agilização de processos valem a pena a aplicação de recursos e esforços do segmento.

O momento que estamos vivendo nos mostra que a tecnologia está em plena expansão e não serve apenas para fazer uma busca no Google ou postar fotos nas redes sociais. A tecnologia é o presente e o futuro, implementando incontáveis facilidades para o consumidor final, que está cada vez mais exigente. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de tecnologia Zendesk, 75% dos consumidores no mundo afirmaram que investem mais dinheiro em uma companhia caso tenham um bom atendimento. A pesquisa também mostra que agilidade, praticidade e simplicidade são fatores importantes que contribuem para criar uma conexão entre empresas e clientes.

O modo de consumo também tem sido alterado pela transformação digital. A aliança da praticidade com o conforto, vem se tornando prioridade para os clientes. Na construção civil, isso traz à tona a necessidade de investimento em smart houses  – ou casas inteligentes. Um estudo feito pela Deloitte e a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), constatou que 10% dos consumidores que participaram da pesquisa já possuem smart house, enquanto 30% pretendem ter esse recurso no futuro.

A Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) é um recurso novo que vem sendo inserido no dia a dia de todos. Ela permite conectar produtos comuns do cotidiano à tecnologia, interligando os ítens e facilitando o acesso a eles. O portal americano Business Insider previu, em 2017, que até 2025 haverá investimento de aproximadamente US$ 15 trilhões em equipamentos de IoT. Robôs que aspiram a casa, luzes que são acionadas ou desligadas através do celular ou assistentes de voz como Alexa ou Siri, TV e eletrodomésticos inteligentes já estão disponíveis no mercado.

E as facilidades vão além: a tecnologia também está na mira do setor de segurança. Com reconhecimento facial, câmeras e microfones, as campainhas definitivamente já não são mais as mesmas, permitindo o acesso somente de pessoas autorizadas ou ainda acesso a registros de visitantes enquanto a pessoa esteve ausente. Há ainda a possibilidade de instalação de fechaduras inteligentes, que podem operar com códigos, biometria, sensores e ainda pelo celular.

No setor imobiliário, já não é mais necessário que o futuro comprador se desloque para fazer a visita a um imóvel. O cliente já pode fazer a visita virtual através de fotos 3D, vídeos e outras facilidades, conhecendo o local fisicamente em uma próxima etapa, juntamente com o corretor. Proptechs e construtechs têm crescido no mercado – o número de startups mais que dobrou desde 2017. Eram aproximadamente 250 empresas do tipo no Brasil no ano, de acordo com um levantamento da Terracotta Ventures. Em 2021 já são 839 startups ativas no setor. E foram mais de R$600 milhões em investimentos recebidos pelas startups no país. Apesar do entusiasmo, o setor é tido como o segundo mais lento na adesão a tecnologias digitais, de acordo com estudo da Harvard Business Review. Ainda há poucos fundos de investimento olhando ativamente para o segmento.

Dando um passo para trás, para olhar o quadro geral, a tecnologia pode estar presente já na elaboração de um projeto de construção de um ambiente inteligente. O uso de novas tecnologias na construção civil ainda não é muito popularizada no Brasil, acredita-se que seja pelo medo de inovar e ter que fazer um investimento muito grande para essa transformação. Dados da empresa de consultoria Gartner apontam que o setor da construção civil perfaz 4% do total dos investimentos feitos em tecnologia. O segmento no Brasil representa 3% nessa composição. Seja automação, gestão facilitada do canteiro de obras, novos métodos construtivos, tudo isso influencia para que o tempo de finalização de uma obra seja diminuído, além de também contribuir para um custo de obra menor.

Máquinas robô podem ser automatizadas para acelerar o ritmo da obra, utilizando pouca ou nenhuma mão de obra humana, o que resulta em diminuição de custo e desperdício no canteiro. O mapeamento de um grande terreno pode ser facilitado utilizando drones, úteis ainda em medições e na dispensa de andaimes – o que ainda aumenta a segurança no local. Outro benefício que a tecnologia pode trazer para o mercado da construção civil é a automação da gestão. Processos financeiros, planejamento de compras, organização de estoque, base de dados de clientes são algumas áreas que são beneficiadas com a automação desses processos.

É fato que a automação na construção civil pode reduzir custos e desperdícios, além de empregar mão de obra eficiente. Erros humanos são excluídos, eliminando também o desperdício de materiais. O controle de atividades e de pessoal dentro do canteiro pode ser acompanhado remotamente a qualquer momento, permitindo menos tempo dedicado a processos operacionais e mais possibilidades de se dedicar a estratégias de crescimento da empresa.

Outra forma de agilizar processos e garantir a satisfação do cliente é apostar em assistentes virtuais, que são uma forma de baratear e tornar mais eficiente o atendimento ao consumidor, fazendo com que a experiência seja mais satisfatória para o comprador de uma forma barata.

Os benefícios da transformação digital na construção civil são inúmeros e com certeza se sobressaem aos receios presentes no setor devido a investimentos. A redução de custos e agilização de processos certamente valem a pena a aplicação de recursos e esforços do segmento.

Jean Ferrari é CEO da FastBuilt

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