É a cultura – e não a idade – que barra a internet das coisas na linha amarela

Da redação – 29.08.2016 – 

Editor do Equipment World, explica o porquê de as empreiteiras hesitarem na hora de adquirir equipamentos que agregam recursos de internet das coisas, mais especificamente de telemática, em suas operações.

A telemática, ou seja, a agregação de recursos de tecnologia de informação com telecomunicações, faz parte da chamada internet das coisas (IoT). No caso da linha amarela de equipamentos para construção e mineração, uma das aplicações mais destacadas é a captura de dados de desempenho do motor ou de outro componente e seu envio para a tela de um computador de bordo do próprio operador ou para o gestor da frota. O primeiro pode ter esse dado correlacionado com outros fatores e uma indicação de como corrigir seu trabalho diário. O gestor, por sua vez, pode comparar vários parâmetros e ter uma ideia de como os equipamentos estão sendo usados numa obra.

Bom, então por que não usar mais intensamente esse tipo de recurso? Muitos podem pensar que a adoção da telemática seria um problema geracional. Para Tom Jackson, editor da edição eletrônica da revista Equipment World, o problema não é a idade e sim um choque de cultura entre os especialistas em tecnologia da informação (TI) e os empreiteiros.

Num artigo publicado nesse mês, Jackson destaca o medo que a maior parte dos profissionais das empreiteiras ainda sente na hora de investir em máquinas com a tecnologia. Para exemplificar, vejamos os principais pontos destacados por ele:

Na construção, comunicação e tempo são tudo

Enquanto os profissionais de TI utilizam termos e definições vagas e de difícil compreensão, o setor de construção é rigorosamente baseado em padrões e não aceita falhas de comunicação causadas pelo uso de palavras complicadas.

“Em TI, quando um computador ou sistema falham, a equipe costuma ter soluções alternativas. Você perderia uma ou duas horas, mas é aceitável como o custo de fazer negócios”, explica. “Se houver falhas em um projeto de construção, é melhor mudar de cidade. Não há tempo para erros”, complementa.

A rapidez com que a tecnologia transforma as coisas também é um fator problemático para a construção. A cada nova versão nos sistemas operacionais de celular, por exemplo, é preciso atualizar o dispositivo e seguir atualizando-o até que deixe de ser compatível com o mais novo sistema lançado. O mesmo acontece com os equipamentos pesados, que demandam substituições e adaptações constantes por parte da equipe operacional – assunto que nos leva a outra problemática.

O mercado pede por treinamentos de qualidade

Depois de conversar com alguns empreiteiros, Jackson concluiu que a ausência de treinamento adequado também dificulta a adaptação das companhias aos equipamentos tecnológicos. “Falta oferta de treinamentos e quando há a dinâmica resume-se em um especialista na planta, passando algumas horas ali e falando rápido demais. Depois disso, o maior contato das empreiteiras com ele é feito por poucas trocas de e-mails”, diz.

Além dos treinamentos, os empreiteiros ouvidos pelo editor destacam a qualidade ruim do pós-vendas oferecido e a falta de interfaces mais intuitivas para os usuários dos novos equipamentos.

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