Tecnologias de construção prometem alavancar negócios no setor eólico

Por João Monteiro 06.07.2015 – 

MC Bauchemie desenvolveu soluções específicas, como resinas para preencher fissuras e revestimento de proteção em torres de concreto, para calcar mais oportunidades nos parques de energia eólica do país.

OK_Torres_eólicas (533x800)Somos o quarto país que mais investe em energia eólica no mundo, mas ainda ocupamos a décima posição entre os que mais produzem esse tipo de energia. Parece pouco, mas há avanços, tendo em vista que há dois anos, em 2013, estávamos três posições abaixo no ranking. Isso não reduz a necessidade de investimentos nesse setor e é nessa visão de “copo meio cheio” que a MC-Bauchemie, multinacional alemã na área de produtos químicos para construção, acredita. A empresa aposta no desenvolvimento de produtos direcionados ao mercado de estruturas eólicas, principalmente das torres que abrigam os aerogeradores. Nesse setor, a companhia atua no fornecimento de produtos que atendem desde a execução das fundações até a manutenção de estruturas em funcionamento, oferecendo soluções tanto para torres de concreto quanto para as metálicas.

Para as torres de concreto, a MC-Bauchemie entra na pré-montagem da estrutura. Ela fornece o graute, a matéria prima para realizar o grauteamento, que nada mais é do que o processo de preenchimento para unir as partes de concreto da torre. “O graute é uma argamassa de alta resistência a compressão e fluidez, que pode ser bombeado a mais de 100 metros de altura, suportando cargas superiores a 80 MPa,”, diz Rafael Fernandes, gerente de energia da MC-Bauchemie do Brasil.

Quando as torres são metálicas, Fernandes conta que a companhia oferece outras soluções, aplicados na base da estrutura. “Essas torres são mais leves do que as de concreto e acabam sofrendo maior fadiga pela força do vento. Por isso, a solução desenvolvida pela empresa é o Emcekrete 80 PLUS, um graute especial de ligação entre a torre e a fundação com maior resistência a cargas cíclicas e a fadiga”, diz o especialista.

A maioria dos parques eólicos no Brasil está no Nordeste, perto de regiões litorâneas, onde é mais calor, há maresia e abrasão, causada pela areia carregada pelo vento. Segundo Rafael Fernandes, esses fatores causam fissuras e desgaste na estrutura da torre, diminuindo a sua vida útil. “Isso causa prejuízo com o custo do reparo em si e também com parada do gerador no momento da manutenção”, diz ele.

Manutenção das torres
Para minimizar esses efeitos, a MC-Bauchemie criou tecnologias de manutenção mais eficientes e uma delas é um tipo de resina aplicada nas fissuras. Feita de epóxi ou poliuretano, esse material tem baixa viscosidade e pode ser usado em fissuras com no mínimo 0,1 milímetros de abertura. “Essas resinas podem ser aplicadas tanto nas torres de concreto quanto nas fundações, no caso das estruturas metálicas”, enfatiza.

Outro produto para prevenção de manutenção é o acrilato Emcecolor Flex, uma pintura flexível, que serve como revestimento de proteção à torre, resistindo ao calor, à vibração da estrutura causada pelo vento e à abrasão da areia. “Os pigmentos utilizados nesse material reavivam a iluminação diurna da torre, algo importante para sinalização aeronáutica. Com sua aplicação, reduzem-se os custos com iluminação artificial”, diz, explicando que o Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa exige uma determinada luminosidade das torres para garantir a segurança dos aviões que sobrevoam próximos aos parques eólicos.

Com duas fábricas no Brasil, uma em Vargem Grande Paulista (SP) e outra em Vitória de Santo Antão (PE), a empresa importa apenas a linha de injeção de resinas da Alemanha. Quem contrata as soluções da MC-Bauchemie são, geralmente, os fornecedores do aerogerador, o fornecedor da torre ou o construtor, não havendo normalmente envolvimento direto com o investidor do parque. A empresa atua em diversos parques eólicos pelo país, grande parte no Nordeste, principalmente no Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí e Bahia.

Fernandes explica que as primeiras ações no mercado eólico da MC-Bauchemie começaram em 2006, quando empresas estrangeiras vieram ao Brasil com seus primeiros projetos de energia eólica. Mas somente em 2010 a empresa entrou de fato no ramo. Três anos depois, foi criada a área de gerência de Energia, Barragens, Hidrelétricas e Eólicas da empresa no Brasil, representando mais um passo nesse mercado. Hoje, a companhia está envolvida no desenvolvimento dos projetos de parques eólicos nacionais e internacionais, oferecendo suporte técnico e realizando estudos nos traços do concreto. “Há necessidade de diversificar a energia do país e, com empresas instalando novos parques eólicos, são necessárias também novas soluções para o mercado”, conclui Rafael Fernandes.

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