Energia de sobra na gestão de ativos de Furnas

Por João Monteiro – 02.06.2014

Empresa adota novas metodologias de manutenção e mantém a disponibilidade do sistema em 98,8%, atingindo redução de custos de R$ 100 milhões durante 2014.

Crédito: Furnas

Crédito: Furnas

Furnas administra um sistema com 17 usinas hidrelétricas, duas termelétricas e mais de 23 mil km de linhas de transmissão. Essa estrutura responde por 40% da energia elétrica consumida no Brasil e é considerada a “espinha dorsal” do Sistema Interligado Nacional de Energia (SIN), distribuído por quase todas as regiões geográficas do país, exceto o Nordeste. O suprimento a essa demanda exige um plano de manutenção afinado, em atendimento às exigências do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), para que as manutenções de equipamentos ocorram em momentos previamente programados e não firam os níveis de acordo de serviços no que tange confiabilidade e continuidade do suprimento de energia.

Sim, é um desafio diário, como detalha Alexandre Claro Ramis, gerente de gestão e monitoramento de ativos de Furnas, e que só pode ser vencido por uma equipe de manutenção bem treinada e com quantidade de profissionais suficiente para executar os processos de forma simultânea nas diversas áreas de produção.

A primeira ordem é de que os procedimentos de manutenção ocorram nas madrugadas, período de menor carregamento do SIN. “As manutenções são feitas por equipes situadas nos departamentos regionais de produção, espalhadas por diversos estados do Brasil e que são constantemente requalificadas”, diz. Hoje, por exemplo, esses profissionais estão migrando de funções da estrutura clássica de equipes de operação e manutenção independentes para uma nova estrutura composta por profissionais que desempenham atividades de operação e manutenção simultaneamente.

Alexandre Ramis valida que o sucesso nos programas de manutenção depende da qualificação da equipe de gestão de ativos, mas adverte que ele também depende de outras iniciativas da empresa. A primeira delas, decorrente da importância de Furnas para o sistema elétrico do país, é a manutenção dos investimentos para melhorias nas tecnologias de transmissão e geração de energia, mesmo em momentos de cautela financeira, como o atual. “Ao contrário, diversas iniciativas foram tomadas para o aumento da confiabilidade e da excelência operacional de Furnas, tanto no âmbito de novos investimentos quanto na melhoria de gestão de manutenção e ativos”, adianta.

Alternativas contra a crise
Uma das iniciativas foi a criação do que a empresa denomina como Plano Geral de Empreendimentos de Transmissão em Instalações e Operação (PGET). Ele, em essência, inclui a realização de reforços, melhorias e adequações em instalações existentes, visando o aumento ou a confiabilidade da transmissão de energia. “Nesse Plano também são contempladas instalações, substituições e atualizações ou reforma de equipamentos”, diz o especialista.

Em complemento ao PGET, a equipe de manutenção foi seccionada com grupos de profissionais centralizados para realização de grandes revisões técnicas em unidades geradoras de energia, compartilhando mão de obra entre diferentes usinas hidrelétricas ou termelétricas. “Junto a isso, aprimoramos os sistemas de automação e operação remota das instalações de transmissão e geração de energia e o monitoramento das condições operativas dos equipamentos. Também implantamos sistemas de mobilidade para executar operação e manutenção.”

No geral, as instalações de transmissão e geração de energia em Furnas utilizam como filosofia a manutenção centrada de confiabilidade, que, segundo Ramis, consiste na aplicação de um método estruturado para estabelecer a melhor estratégia de manutenção para um determinado sistema ou equipamento. “Esse conceito permite avaliar a criticidade das falhas e identificar suas consequências significantes, que possam afetar a disponibilidade dos equipamentos, o custo de manutenção ou a segurança das pessoas e do sistema elétrico”, diz ele.

A partir dessas informações, os gestores de manutenção e ativos podem selecionar as tarefas adequadas de manutenção de acordo com as falhas – ou possíveis falhas – identificadas. Dessa forma, as estratégias de manutenção preventiva, preditiva, corretiva e até detectiva podem ser aplicadas de modo integrado, para que se possa tirar vantagens dos pontos fortes de cada uma e, assim, aumentar a disponibilidade e eficiência dos equipamentos.

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O especialista de Furnas também esclarece que as manutenções preventivas mais utilizadas em Furnas são do tipo “ensaio”, nas quais as inspeções e testes são feitas com periodicidade fixada. “Fazemos, com frequência, por exemplo, análises gás-cromotográficas e físico-químicas de óleos isolante e lubrificante, inspeção termográfica e monitoramento de grandeza de processos como temperatura e vibração dos equipamentos”, revela.

Com essas técnicas, os investimentos no Plano Geral de Empreendimentos e Transmissão em Instalações e Operação de Furrnas é acompanhado de perto pelo escritório de projetos da companhia, que avalia a execução física e os resultados financeiros das ações individualmente e do programa como um todo.

Resultado
O resultado, segundo Alexandre Ramis, foi a realização de 254 obras de modernização e reforços em subestações importantes em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná, energizando 1.819 novos equipamentos em substituição a transformadores, reatores, disjuntores, seccionadores, para-raios e outros sistemas obsoletos. “Nesse período, foram investidos cerca de R$ 1 bilhão”, quantifica o especialista.

As novas ações de gestão de ativos, combinadas a outras iniciativas organizacionais de Furnas – como o desligamento voluntário de colaboradores em fim de carreira – permitiram à empresa manter a disponibilidade de equipamentos e sistemas na casa dos 99,8%, além de proporcionar redução de despesas operacionais em R$ 100 milhões em 2014.

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