Energia solar ganha corpo e mercado no Brasil

Por Rodrigo Conceição Santos (Especial LAUW 2017) – 22.09.2017 –

Há projeções de que ela passará a geração hídrica futuramente, privilegiando a geração distribuída por residências e grandes indústrias e comércio.

Um estudo da Bloomberg projeta que em 40 anos a matriz energética brasileira será composta majoritariamente por energia solar. Hoje, é a energia hidrelétrica quem lidera, correspondendo a mais de 60%. A solar ainda é incipiente, mas vem crescendo. Aos entusiastas da tecnologia, são diversos os motivos para acreditar na projeção positiva, incluindo o custo decrescente desse tipo de geração de energia graças à adoção em larga escala na China, EUA, Canadá, Índia e vários países europeus. O mercado maior cria competitividade e, concomitantemente, reduz os custos dos componentes necessários para o sistema. No Brasil, esse efeito já aparece, fortalecendo a energia solar como a principal via para a geração distribuída, de acordo com a associação do setor, a ABGD.

“Em 2010, o kWh da energia solar fotovoltaica custava R$ 0,36. Em 2020 deverá custar R$ 0,19, se considerarmos o pior cenário. No melhor cenário, o custo deverá ser de R$ 0,8”, diz Carlos Evangelista, presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída.

Isso, segundo ele, mostra o porquê da evolução das conexões crescentes na geração distribuída brasileira, majoritariamente (98% das conexões) dominada por tecnologia solar fotovoltaica. “Partimos de nove ligações em 2010 para mais de 13 mil contabilizadas em 2016”, quantifica Carlos Evangelista.

Apesar do avanço, ele pondera que o volume ainda é pequeno, comparado aos 87 milhões de relógios em baixa tensão no Brasil: todos com capacidade para instalação de geração distribuída. “Veja o potencial do mercado que temos”, pontua.

Outros fatores estimulantes para o avanço da geração de energia solar envolvem a  desmistificação da tecnologia perante à sociedade, além de qualidades técnicas, como a possibilidade de gerar energia perto de onde se consome, reduzindo perdas técnicas e evitando os chamados “gatos”. “Reduzir perdas técnicas é uma demanda importante, dado que elas são, em média, de 16% da energia gerada no Brasil, segundo a Empresa de Pesquisa Enérgica, órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia”, diz Evangelista.

Ele salienta que a evolução desse setor vem ocorrendo paulatinamente desde 2011, quando a Aneel abriu a discussão do tema, culminando no leilão de Pernambuco em 2013, o primeiro do tipo no País.

O atrativo financeiro também tem pesado a favor da energia solar fotovoltaica, e novamente a projeção da Bloomberg avaliza a máxima, dizendo que em 40 anos, mais de 75% da geração solar deve ser para a geração distribuída. Hoje só 0,2% da matriz brasileira é de geração distribuída.

“A energia solar fotovoltaica é um dos mercados que mais cresce no mundo.  Na china, já são 112.000 MwP instalados. No Brasil, são apenas 150 MwP, o que, novamente, mostra o potencial de mercado que temos”, diz o especialista da ABGD.

Cenário local
Aquém da projeção da Bloomberg, a realidade das pouco mais de 13 mil conexões atuais se deve principalmente ao Estado de Minas Gerais, responsável por quase 3 mil delas.  São Paulo é o segundo estado em termos de conexões, com 2,7 mil, mas em termos de potência instalada Minas Gerais continua liderando e o Ceará assume a vice-liderança.

“A dianteira mineira tem várias explicações. Uma delas é a alta tarifa da concessionária de lá, a Cemig, o que permite uma remuneração melhor para os geradores. Outro impulsionador é cultural, dado que o mineiro já incorporou a geração solar fotovoltaica”, diz Evangelista. “Por fim, têm várias políticas de incentivos fiscais do Estado e de alguns municípios, inclusive com redução progressiva do IPTU para quem entra na geração distribuída por energia solar”, completa.

Nacionalmente, contudo, ele constata que a maior taxa de adesão à geração distribuída por painéis solares fotovoltaicos (79%) é residencial. “Mas sabemos que os grandes valores geradores, a exemplo dos países que já estão mais avançados no tema, estão nas indústrias e comércios, que agora estão começando a direcionar investimentos nesse sentido”, diz o especialista da ABGD. “Essa é mais uma projeção positiva para o setor, que em breve sairá dos 150 MwP para a cada dos GwP”, conclui.

InfraROI realiza a cobertura do Latin America Utility Week que está acontecendo em São Paulo nessa semana – de 19 a 21 de setembro. 

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