Equipamento instala rede de esgoto com 0,01% de declividade em Barueri (SP)

Usada no Brasil pela primeira vez, tecnologia desmistifica a máxima de que não é possível instalar redes de esgoto com baixa declividade usando métodos não destrutivos eficientes

Por Rodrigo Conceição Santos – 18.03.2015

Axis VermeerAbrir vala para instalar tubulação em via urbana não é uma prática desejável. E isso é sabido, já há algum tempo, na engenharia brasileira. Mas ainda ocorre, principalmente para redes de esgoto, cujo controle da declividade é minucioso. Afinal, estamos tratando de redes com menos de 1% de inclinação, onde a única força é a da gravidade e por isso a inclinação deve ser perfeita, algo que, realmente, não dava para garantir usando métodos não-destrutivos (MND) mais tradicionais. Não dava, mas agora dá.

Sem desconsiderar alguns casos de empreiteiras que usaram HDD com mão de obra especializadíssima para instalar redes em baixa declividade (de até 0,05% – veja um desses cases), a WR Engenharia inovou ao comprar a primeira máquina de perfuração guiada a laser. Trata-se do Axis, fabricado pela norte-americana Vermeer e que já teve sua atuação comprovada em obra de ligação de ramais para o Projeto Tietê, da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (veja vídeo explicativo sobre o funcionamento do Axis).

“Ainda não computamos o retorno sobre o investimento, mas acreditamos que ele acontecerá em menos de três anos se todos os interessados que vieram conferir a atuação nesta obra saírem com os seus projetos e nos contratar para executá-los com o Axis”, diz Aislan Santos Cunha, encarregado de planejamento da WR Engenharia. A empresa tem sede em Sergipe, mas atua nacionalmente e a obra a qual Cunha se refere ocorreu em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo ele, o equipamento executou perfurações com declividade de até 0,01% – algo que a empresa ainda não tinha conseguido cumprir em outras entregas. “Até já tivemos projetos pedindo essa declividade, mas não foi possível entregar usando outras tecnologias”, diz. Ao todo, foram três perfurações, sendo uma maior, de 86 metros, e duas outras de 25 metros de extensão cada. “As tubulações, de PEAD (polietileno de alta densidade) tinham 315 mm ou 400 mm, mas sabemos que o Axis pode instalar tubos maiores, com até 600 mm”, diz ele.

De acordo com Nick Liza, gerente de soluções de perfurações da Vermeer, o equipamento foi exposto à condição severa, de perfurar para instalar tubulações a declividade mínima e em terreno composto por rochas da dureza de granito e, portanto, difíceis de serem vencidas por outros métodos de perfuração. “Ele se comportou bem, com avanços que variaram de 7 a 2 horas para cada dois metros perfurados”, diz.

Oportunidades
Segundo Nick, a operação bem sucedida dessa primeira unidade do Axis no Brasil deve abrir as portas de outras obras para a tecnologia. Aislan Cunha valida a expectativa, revelando que recebeu visitas de executores de obras de saneamento básico em Guarulhos, Recife e outras regiões, e “aguarda a efetivação das obras para aplicar a tecnologia”.

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