Falta de componentes e aumento de preços ameaçam setor de equipamentos de construção

Redação com Sobratema – 24.05.2021 – Outros fatores também influenciaram esse mercado, como a instabilidade cambial, que afeta o custo de produção do país, e a ruptura da logística da cadeia produtiva global durante a pandemia

A construção civil e a mineração estão aquecidas apesar dos efeitos da pandemia, mas há ameaças no ar. Estamos falando especificamente do mercado de equipamentos para os dois setores. De acordo com a Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) os desafios atuais envolvem a falta de peças, insumos e componentes, o prazo elevado para entrega dos equipamentos e a variação de preços de compra. A conclusão veio a partir de um webinar realizado na última quinta-feira (20/5).

Na avaliação de Alexandre Bernardes, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias (CSMR) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), outros fatores também influenciaram esse mercado, como a instabilidade cambial, que afeta o custo de produção do país, e a ruptura da logística da cadeia produtiva global durante a pandemia, em decorrência das restrições e dos lockdowns. Em termos de escassez de insumos, ele trouxe como exemplos o aço, as resinas, o náilon e a gusa, que impactam na produção de componentes, como pneus, bombas, tubos e metálicos. “Toda a indústria, de um modo geral, está lidando com essas questões, que causam distorções e um incremento nos custos”.

Pandemia não derrubou mercado de equipamentos

Com a pandemia e diante desse cenário do setor de máquinas, a Camargo Corrêa Infra e o Grupo K, que engloba a Skava-Minas e a Lokaminas, precisaram realizar mudanças e se adaptar, a fim de atender as demandas de novos projetos, que seguem em crescimento. Além da implementação de protocolos e controles sanitários e segurança ao trabalhador, de novas rotinas de trabalho e de afastamento de colaboradores de grupos de riscos, as empresas adotaram um planejamento mais dinâmico e ativo, com cronogramas atualizados e análises de custos, riscos e oportunidades.

De acordo com Jordão Pinto Coelho Duarte, diretor de Operações da Skava-Minas, também foi preciso planejar melhor as intervenções e a manutenção dos equipamentos, devido ao atraso ou falta de peças e itens de desgaste, bem como desenvolver novos fornecedores e buscar por mão de obra qualificada, uma vez que o mercado de mineração está em alta e para suprir os trabalhadores afastados em decorrência da pandemia.

Compras antecipadas garantiram entregas de equipamentos de construção

Especificamente sobre o planejamento de frota, o Grupo K antecipou a renovação de suas máquinas para o último trimestre de 2020, após realizar um monitoramento constante do mercado, que apontava atrasos ou interrupção da cadeia de insumos. “Nos precavemos e compramos não apenas equipamentos, mas também insumos, peças, uniformes, ferramentas, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para que a operação se mantivesse ativa. Vimos uma oportunidade nessa estratégia, inclusive com a revisão da taxa de financiamento para a aquisição de máquinas de 10% a 11% para 6% a 7% ao ano”, disse José Henrique Castro, diretor da Lokaminas Equipamentos, durante o webinar.

Digitalização amplia espaço nos equipamentos de construção e mineração

A companhia já começou a receber parte desses equipamentos, porém alguns pedidos fechados há sete meses ainda não foram recebidos. Para este ano, a renovação da frota também foi antecipada, objetivando receber os novos equipamentos no primeiro semestre de 2022. “O mercado de locação está muito aquecido e tende a crescer ainda mais para atender a necessidade de equipamentos com mobilização imediata”, explicou Castro. Outro ponto trazido foi a oportunidade de comercialização de máquinas usadas, que acompanhou o aquecimento do mercado de novos, gerando bons resultados em vendas.

Amadeu Martinelli, executivo da área de gestão de frotas e equipamentos da Camargo Corrêa Infra, analisou que a alta demanda no mercado de rental culminou em valores entre 30% e 40% superiores nos contratos de locação e gerou oportunidades para novas modalidades de contratação e novos entrantes. Contudo, a seu ver, os locadores também estão sofrendo com os prazos estendidos de entrega, pois são empresas que precisam ofertar disponibilidade, com mobilização imediata dos ativos.

Entre as mudanças feitas pela construtora, Martinelli citou o reforço na gestão proativa de manutenção, que beneficia a operação da máquina, com a diminuição de quebras e maior disponibilidade de peças. Em termos de oportunidade, ele falou ainda sobre o surgimento de novas modalidades de compra de equipamentos e negócios diferenciados na área do rental.

Vendas e equipamentos de construção deve crescer neste ano

A produção e a comercialização de máquinas devem crescer neste ano novamente, com a demanda crescente de projetos em infraestrutura, mineração, agronegócio e construção civil. A capacidade instalada anual da indústria é de 60 mil máquinas e atualmente são produzidas mais de 22 mil unidades.

O evento foi aberto pelo engenheiro Afonso Mamede, presidente da Sobratema, que salientou as boas perspectivas do setor de infraestrutura, com as novas concessões e os marcos legais do Saneamento e do Gás Natural, resultando em uma procura ainda maior por máquinas, e contou ainda com a mensagem de Rolf Pickert, diretor geral da Messe Muenchen do Brasil, sobre a Smart.Con, que acontecerá nos dias 6 e 7 de julho, e terá mais de 30 horas de conteúdo em sessões simultâneas e mais de 60 palestrantes. As inscrições estão abertas no site oficial.

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