Finança e engenharia: combinação viabiliza projetos de construção e infraestrutura

Por Rodrigo Conceição Santos – 23.05.2016 –

A mescla de conhecimentos desses dois mercados é um novo meio de financiar construções imobiliárias, industriais e de infraestrutura de forma lucrativa, mostra TRX.

TRX

A gestão de R$ 5,6 bilhões em ativos no Brasil e Estados Unidos é o cartão de visitas da TRX, companhia que compra, loca e administra ativos de construções industrial e imobiliária. Bem recentemente, ela também ingressou no setor de infraestrutura, com a construção e operação de galpões logísticos em retro áreas portuárias e aeroportuárias. Com apenas nove anos de mercado, a empresa encontrou sucesso por juntar a expertise de engenharia (um dos sócios é de família tradicional do mercado de construção imobiliária) ao conhecimento do mercado financeiro, resultando em aquisições e desenvolvimentos de negócios de construção mais sólidos e lucrativos.

“Viemos do mercado de construção para trabalhar no mercado financeiro, onde nos posicionamos. E não como uma construtora, que busca investimentos. Mas como uma gestora financeira que atua justamente nos projetos de construção”, explica Luiz Augusto do Amaral, sócio e CEO da TRX. Em suma, ele explica, a empresa cria fundos de investimentos e capta recursos de pessoas físicas de alto poder aquisitivo e aplica na construção e gestão de imóveis industriais, com rentabilidade anual que ultrapassa 20% na maioria dos casos. “E isso tanto no Brasil quanto nos EUA”, diz.

Para ele, o futuro do negócio é promissor, principalmente aqui, dado que o momento econômico mostra que o Estado está com capacidade de investimento reduzido, o que abre oportunidade para os aportes privados com histórico de lucratividade, como ocorre com a TRX.

“Temos clientes inquilinos de galpões industriais como Ambev, Petrobras, Atento, BRF, Decathlon, Magazine Luiza e Peugeot-Citroën. Dada a recorrência deles em contratar nossos negócios, percebemos que estamos no caminho certo e esperamos que, com a retomada de crescimento econômico, possamos realocar espaços vagos hoje e continuar crescendo”, diz Amaral.

Os clientes citados por ele adotam, em sua maioria, a modalidade de negócios built to suit, que consiste na construção de galpões industriais e logísticos sob medida para operações de grande porte. Esse imóvel é locado a longo prazo. Geralmente, por 15 anos. “Estamos trabalhando para avançar com essa modalidade também nos Estados Unidos. Aqui, todavia, temos percebido retorno de negociações que estavam paradas após a mudança do governo federal”, avalia.

Mercados e oportunidades
Justamente por ser do setor de construção imobiliária, a TRX trabalha com a retórica de que os mercados são cíclicos. Amaral mostra como exemplo o setor imobiliário norte-americano, que partiu do auge à queda brutal após a crise de 2008/2009. “Por isso entendemos a importância de atuar em mais de um mercado e abrimos a operação na Flórida, onde as oportunidades são imensas hoje em dia”, diz.

A verticalização da TRX também ocorre por nichos e a entrada no setor de infraestrutura é a prova disso. A empresa mostra como principal negócio nessa área a construção do terminal retro portuário de São Francisco do Sul, em Santa Catarina. “Esse projeto consiste no carregamento de fertilizantes em comboios dos trens, aproveitando o espaço ocioso que esses deixam em sua viagem de retorno”, adianta o CEO da TRX. Atualmente, complementa ele, os trens levam graneis ao porto e voltam ao interior catarinense parcialmente carregados (em torno de 25%). “Com o retro porto, a viagem de retorno deverá ser totalmente aproveitada”, prevê o executivo.

Essa obra está prevista para ser inaugurada no segundo semestre deste ano. Em números, a avaliação é de que a redução de custo por tonelada carregada chegará a 36% na operação, passando de R$ 34,65/t para R$ 22,08. “Nesse e em outros projetos de infraestrutura, investimos 50% e procuramos operador da área para investir o restante e tocar a operação”, explica Amaral.
Também na área de infraestrutura, a TRX constrói um terminal portuário para armazenamento de grãos e açúcar em Paranaguá (PR), com investimento previsto de R$ 200 milhões.

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