Furnas sofistica sistema “anti-apagão” que garante energia do Sudeste

Da redação – 25.07.2016 – 

Novo Esquema de Controle de Emergência (ECE) entra em funcionamento em julho de 2017. Mecanismo vai ser ativado nas três linhas se transmissão de extra alta tensão de 750 kV que saem de Itaipu e seguem até São Paulo.

Em novembro de 2009, noventa milhões de brasileiros ficaram no escuro, assim como a maior parte da população do Paraguai, quando as três linhas de transmissão que saem da usina hidrelétrica de Itaipu foram interrompidas. Seria, para usar um trocadilho infame, uma “tempestade perfeita”. Para evitar incidentes como esses é que Furnas – dona do sistema de transmissão de extra alta tensão que liga Itaipu ao estado de São Paulo – está sofisticando o chamado Esquema de Controle de Emergência (ECE), criado em 1989 e que passou por um importante upgrade em 1996. Com o novo ECE, previsto para entrar em funcionamento em julho do ano que vem e a um custo de R$ 4 milhões, o controle fica mais preciso.

De acordo com a diretoria de operação de Furnas, em entrevista ao Infraroi, o esquema “será totalmente duplicado em sistemas independentes – primário e alternado – que vão operar em paralelo. Todos os equipamentos e o próprio ECE possuirão capacidade de expansão, em função das lógicas adicionais que podem vir a ser definidas”.

Na avaliação da empresa, uma característica importante do novo ECE é a tomada de decisão, que deve ser realizada em menos de 0.2 segundo.Na prática, o esquema deve ser capaz de identificar a contingência, processar as lógicas e desligar as unidades geradoras em Itaipu, ou Tucuruí, em menos de um segundo. Outro aspecto do ECE que passa a funcionar em 2017 é a flexibilidade na tomada de ação, uma vez que o mecanismo poderá realizar corte de geração, redução de geração ou a combinação de ambos.

Subestação de energia de Foz do Iguaçu, de Furnas
Subestação de energia de Foz do Iguaçu, ponto de partida das três linhas de transmissão de extra alta tensão de 750 kV.

Apesar dos benefícios listados, a implantação esquema nos novos moldes envolve grandes desafios para as áreas técnicas de Furnas, segundo sua diretoria de operação. Os principais pontos ressaltados pelos técnicos entrevistados envolvem a complexidade das lógicas e equipamentos envolvidos e os requisitos de tempo associados à coleta de informações, tomada de decisões e efetiva atuação do esquema.

É importante destacar que até a ativação do novo ECE, o esquema atual continua totalmente operacional. No caso das três linhas de 750 kV que saem de Itaipu, o conceito está baseado no fluxo de energia transmitida, na configuração do sistema e no número de unidades geradoras em operação na hidrelétrica. A função do esquema é atuar num eventual desligamento não-programado da transmissão, reduzindo a geração da usina.

Segundo a diretoria de operação de Furnas, quando foi adotado em 1989, o ECE envolvia ações de proteção habilitadas por meio de chaves manobradas pelos operadores das subestações existentes no sistema. Ou seja, era um processo quase manual. Para melhorar o processo, a empresa fez uma grande mudança em 1996, ativando Controladores Lógicos Programáveis (CLPs), equipamentos que, na época, sofisticaram o então mecanismo de segurança adotado, automatizando e tornado as lógicas do ECE mais eficientes, seguras e seletivas.

Com era previsível, mesmo os CLPs do sistema atual tiveram sua capacidade de processamento esgotada, o que afetou o atendimento às novas demandas que foram surgindo com a expansão ou alteração do Sistema Interligado Nacional (SIN). Outro problema apontado por Furnas é a dificuldade de obtenção de sobressalentes para a manutenção dos CLPs.

Apesar disso, não significa que o mecanismo esteja inoperante. Segundo Furnas, a tecnologia atual é tão complexa que, em função dos valores dos intercâmbios energéticos praticados entre as diferentes regiões do país, o esquema pode até mesmo desligar uma unidade geradora na usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, distante aproximadamente 2.500 km de Itaipu. Tal medida visa manter a estabilidade da operação do chamado SIN, sigla para Sistema Interligado Nacional.

O esquema permite ainda que o Operador Nacional do Sistema (ONS) opere o SIN com mais confiabilidade e otimização dos recursos hídricos, explorando todo o potencial de geração de Itaipu e do sistema de transmissão em 750 kV de Furnas, que se estende de Foz do Iguaçu (PR) a Tijuco Preto (SP).

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