Gerenciamento hídrico reduz consumo de água entre 20% e 40%

Wagner Cunha Carvalho, diretor de negócios e relacionamentos da W-Energy.

Wagner Cunha Carvalho, diretor de negócios e relacionamentos da W-Energy (foto: divulgação).

Por Nelson Valêncio 04.08.2015 – 

Especializada no assunto, a W-Energy cresce com modelo de negócio de risco zero para o cliente e aplica novas tecnologias para economizar água e energia.

Se na corrida do ouro, quem ganha dinheiro é quem vende pás e picaretas, em tempos de seca e de aumento da conta de energia, quem ganha espaço são as empresas que ensinam a gerenciar melhor os dois recursos. É o caso da paulista W-Energy. O foco da empresa é reduzir a demanda de água em vários segmentos e otimizar os gastos de energia, processo que envolve contratos em cima de resultados. Ou seja, após um estudo de viabilidade, a W-Energy passa a ser remunerada em função do que economiza para o cliente. Há quinze anos a companhia começou a atuar com eficientização de energia e cinco anos depois passou a atuar em projetos hídricos, hoje responsáveis por 60% do seu faturamento. Acompanhe a entrevista com Wagner Cunha Carvalho, diretor de negócios e relacionamentos da W-Energy.

InfraROI: Como a W-Energy foi criada?
Carvalho: sou administrador de empresas, especializado em eficiência energética e hídrica. Há cerca de 15 anos, era sócio de uma construtora e fizemos a fusão com uma empresa de eficiência energética. Desisti da área de construção, onde trabalhávamos com obras de alto padrão e resolvi focar em eficiência energética. Temos um pessoal técnico formado por especialistas e a maioria trabalhou em concessionárias como Eletropaulo, Bandeirantes e CPFL. Nosso foco inicial era gestão da energia, inclusive com correção no fator de potência, implantação de tecnologias de telemedição, análise da qualidade da energia e gestão no mercado livre.

InfraROI: vocês falam em redução média de consumo. Qual é esse número?
Carvalho: a média é de 30% de economia, com o diferencial de que os investimentos para que isso ocorra são da W-Energy. Isso acontece a partir do que foi aprovado no diagnóstico preliminar, o qual inclui o estudo de viabilidade. A nossa intervenção inclui projetos desde iluminação, sistema de banco capacitores de uma indústria, medição setorial para fabricantes até a resolução de problemas de distorção harmônica, para citar alguns. Toda empresa tem um potencial de economia, mas às vezes ele não se viabiliza, pois a solução proposta tem que caber num contrato de dois a cinco anos. Há projetos em que o ponto de equilíbrio vai ocorrer no sexto ou sétimo ano e acaba não despertando o interesse do empresário brasileiro. Trabalhamos pesado na pesquisa de novidades e estamos sempre inventando soluções mais eficientes.

InfraROI: por onde o processo de contratação começa?
Carvalho: no diagnóstico, que é uma iniciativa sem custo e que não implica nenhum compromisso. Fazemos uma visita técnica, avaliando inicialmente o histórico de faturas do cliente. Com base nele, identificamos o potencial de economia. Nós temos clientes que possuem operações em mais de 30 locais diferentes, então antes de fazer um deslocamento para a filial em outro estado, podemos avaliar o histórico de faturas para ver se há potencial de economia viável. Com o estudo de viabilidade, apresentamos uma proposta de parceria que tem data para começar e terminar, sendo que a remuneração da W-Energy será parte dessa economia. Se não houver economia, não teremos remuneração. No final do contrato, todos os ativos instalados tornam-se propriedade do cliente.

InfraROI: somente com esse histórico é possível avaliar a viabilidade de um contrato?
Carvalho: não se consegue verificar a totalidade do potencial de economia, mas identificamos, por exemplo, se o contratante está no plano tarifário errado ou se a demanda contratada por ele com a concessionária é inadequada. Muitas vezes, ele tem uma demanda de mil, mas usa apenas 400 e fica pagando 600 sem utilizar. Ou ele contrata 500 e paga 1000, porque tudo o que ele passa do limite entra num percentual de multa. Se houver potencial, o risco é zero, pois assumimos os investimentos necessários e realizados a manutenção preventiva e corretiva.

InfraROI: quais são os tempos médios de contratação que o mercado tem fechado?
Carvalho: no nosso caso, os mais longos são de 60 meses e que demandam investimentos elevados. O projeto é muito elevado quando ele não cabe em num contrato de trinta e seis meses. É comum o contratante conhecer as tecnologias que utilizamos e pedir opcionais no pacote contratado. Agora, por exemplo, estamos fazendo um projeto para a rede Etna de lojas de móveis, que inclui medição remota da temperatura da área dos servidores de TI.

InfraROI: que outras mudanças são pedidas no desenrolar dos projetos?
Carvalho: há situações onde se pede para mudar o tipo de tarifa praticado, outros são para eliminar as multas de energia reativa descendente ou resolver o problema da distorção harmônica com filtro. Os recursos de otimização também incluem a colocação de medidores em cada linha de produção para se identificar o gasto individualizado e aumentar a eficiência operacional do contratante. Ele poderá descobrir que há produtos que ele vende com prejuízo e outros que vendem com uma margem muito alta.

InfraROI: geograficamente, onde vocês têm operações?
Carvalho: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, mas temos convites para expandir para Lisboa, Lima e Angola. Nossa base fica em São Paulo e nos deslocamos muito, mas as ferramentas de telemedição ajudam muito no acompanhamento remoto. Quando é necessário, enviamos um técnico, colocamos uma equipe no avião e mandados para o local. Eles fazem o trabalho e voltam para São Paulo.

InfraROI: a W-Energy tem uma vertical exclusiva para hospitais. Como nasceu isso?
Carvalho: A área da saúde tem muito potencial de economia em função das particularidades da biossegurança (preocupação de infecção hospitalar). Havia muita oportunidade não aproveitada e nossa estratégia foi estudar as normas europeias como, por exemplo, as que determinam o consumo de água. Na Alemanha, você não pode utilizar o arejador padrão adotado no Brasil, porque ele mistura o ar com a água. Se o ar estiver contaminado, afeta a água. O arejador que instalamos torna-se um pulverizador sem contaminar o ar e fazendo uma economia de cerca de 80% de água. O que levamos em consideração é a necessidade de cada usuário: para os pacientes, o consumo por demanda é de dois litros por minutos de vazão, já o técnico de manutenção vai usar o dobro, pois tem contato constante com produtos como vaselina e lubrificante. Já o técnico de enfermagem demanda seis litros por segundo e, o cirurgião, até oito em função das cirurgias que realiza.

InfraROI: por ser um mercado específico, há uma barreira de entrada?
Carvalho: é um mercado fechado, com um grupo de empresas hospitalares que só contratam parceiros experientes na área da saúde. Ele faz parte do segundo segmento onde atuamos, o de eficientização hídrica, onde começamos a partir de 2005. Achamos que seria uma demanda atrativa e o segmento de saúde faz parte desse universo. Nos três primeiros anos, ou seja, até 2008, essa área nos deu prejuízo em função da pesquisa de tecnologias fora do Brasil, investimento em profissionais e equipamentos para realização de testes. Mas o patinho feio se tornou um dos carros chefe, respondendo por quase 60% do faturamento da W-Energy. Nós sabíamos que, no futuro, a otimização em projetos hídricos seria mais necessária e temos uma década de experiência, com soluções que reduzem os custos entre 20% e 40%. Um dos segredos são tecnologias já comprovadas na Alemanha, Dinamarca, França e China.

InfraROI: e quais outros mercados são potenciais na otimização hídrica, além dos hospitais?
Carvalho: em termos de verticais, podemos destacar os condomínios comerciais e academias de ginástica. A indústria começou a se interessar e, como nos já trabalhávamos com diversos clientes industriais na área de eficiência energética, esse fator facilitou a entrada no setor.

InfraROI: de onde vem a experiência da parte hídrica na sua equipe?
Carvalho: temos profissionais que atuaram em concessionárias, principalmente na área de eficiência, incluindo engenheiros civis, arquitetos, ambientalistas. Eles usam muitas tecnologias novas. Fora do Brasil é comum, por exemplo, o uso de um equipamento chamado geofone eletrônico, o qual identifica a localização de vazamento sem necessidade de quebras. Consegue-se analisar um vazamento num raio de 40 a 50 metros, a partir de um ponto inicial. Outro recurso é uma tecnologia japonesa que funciona por radiofrequência e localiza problemas como o de um hospital em Osasco que perdia R$ 20 mil mensais em vazamentos. Pela planta do prédio, não havia canos no local identificado e o chefe da manutenção alertou que o risco de intervenção seria por nossa conta. Confiamos no equipamento e o problema foi resolvido. Sobre a planta citada, é importante lembrar que nem sempre a execução da obra segue o que foi determinado.

InfraROI: na otimização hidráulica, é possível destacar um nicho em especial?
Carvalho: é bem pulverizado, mas a área da saúde tem crescido bastante, seguida pelos edifícios comerciais, instituições de ensino e call center. Nesse último, temos uma presença forte de projetos de economia de energia. Isso acontece pelo alto consumo de computadores e servidores e do ar condicionado. O mesmo se aplica a shoppings centers.

InfraROI: e a indústria, que em geral já tem programas de eficientização, tem sido um mercado atraente?
Carvalho: a indústria tem uma filosofia de melhoria contínua e, em função disso, os potenciais de economia são menores. Porém, como o valor das contas é maior, o resultado quase sempre é potencial. Nós, por exemplo, trabalhamos com o maior fabricante de extintores do país, a Resil, e conseguimos um potencial de economia interessante, tanto que houve renovação de contrato. Outro contratante é a Vibrasil, da área de borracha, que tem índices de economia da ordem de 24%.

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