Greve de 72 horas quer barrar privatização da Eletrobrás

Da Redação – 11.06.2018 –

O Coletivo nacional dos Eletricitários anuncia que os trabalhadores das empresas do setor elétrico brasileiro irão parar por 72 horas os trabalhos do Sistema Eletrobrás contra a privatização do órgão. A paralisação começou à zero hora de hoje (11/06) e deve seguir até a meia-noite da quarta-feira (13/06). A expectativa é de adesão de 24 mil empregados das empresas de geração e transmissão de energia CGTEE, Chesf, Eletronorte, Eletronuclear, Eletrosul e Furnas; além de distribuidoras dos estados do Amazonas, Acre, Alagoas, Piauí, Rondônia e Roraima.

O CNE assegura que a prestação dos serviços essenciais de fornecimento de energia será mantida, sem prejuízo aos consumidores. Inclusive as equipes de manutenção e urgência estarão à disposição em caso de emergências.

Segundo Wellington Diniz, diretor jurídico do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão (STIU-MA), a categoria espera que a greve chame a atenção da população para a ameaça de privatização da Eletrobras, que pode trazer consequências como explosão tarifária e prejudicar a segurança energética. “Segundo uma afirmação feita no ano passado pela própria ANEEL, a privatização da Eletrobras trará um aumento exorbitante no valor da tarifa. Além disso, com os grandes reservatórios do país nas mãos de multinacionais, não teremos controle sobre a qualidade da nossa eletricidade, sobre o uso adequado da água, e sobretudo, sobre as constantes ameaças às nossas fronteiras, já que muitos empreendimentos estão na região amazônica”, diz.

Para ele, o principal pleito do movimento é a entrega do cargo pelo Presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, a quem aponta como o principal mentor de um processo que já vem provocando um verdadeiro desmonte das empresas do Grupo Eletrobras, na visão dos trabalhadores. “Desde que assumiu o cargo, ele está implementando uma reestruturação que vem atingindo direitos adquiridos pelos trabalhadores, além de diminuir a capacidade de atuação das empresas frente aos seus concorrentes mercado”, completa.

O CNE avalia que o governo federal vem encontrando dificuldades para levar adiante os planos de privatização da Eletrobras. “Aos ingredientes obscuros que orbitam o processo, como uma Medida Provisória (814/17) que não emplacou e um Projeto de Lei (9463/18) ao qual alguns parlamentares chamam de colcha de retalhos malfeita, somam-se a baixa popularidade do Presidente Michel Temer, inclusive entre seus correligionários; a falta de habilidade do Deputado Federal José Carlos Aleluia (DEM-BA), Relator do PL 9463/18, em conduzir os trabalhos da Comissão Especial; e especialmente, as sucessivas trapalhadas do Presidente da Eletrobras, que não tem encontrado respostas convincentes para os inúmeros questionamentos acerca de sua postura diante dos trabalhadores  e do processo de privatização”, publicou a entidade.

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