Investimentos em infraestrutura de energia são vitais para o crescimento econômico nos EUA, defende diretor da API

Por Robin Rorick (*) – 06.06.2016

Em artigo publicado no The Hill na última quinta-feira, especialista defende que investimento em infraestrutura de óleo e gás é aprovado por 80% dos eleitores norte-americanos e coloca assunto como tema-chave para quem quiser vencer a corrida eleitoral com uma pauta positiva de crescimento econômico.

Construção de gasoduto na Pensilvânia
Construção de gasoduto na Pensilvânia – Foto da Bloomberg

Estradas, pontes, trens de alta velocidade, aeroportos modernos: quando políticos prometem corrigir a “infraestrutura decadente” da nação, acelerar os trabalhos de construção na América está sempre no topo da lista. Nós sempre tomamos conhecimento de que precisamos de infraestrutura quando passamos por um buraco na pista ou ficamos presos no tráfico causado por um reparo em uma ponte. Mas, acendendo a luz pelo interruptor, usando o termostato ou abastecendo o carro – e tudo que pagamos por esses itens essenciais – também é infraestrutura. A diferença, contudo, é que a atualização de transporte de energia como infraestrutura promete grandes ganhos econômicos sem onerar a arrecadação de impostos dos contribuintes.

Mais de 199 mil milhas de tubulações de petróleo líquido e mais de 305 mil milhas de redes de transmissão de gás atravessam os Estados Unidos. Isso pode parecer bastante, mas nós precisamos de mais. Muito mais – e não somente tubulações, mas também investimento em infraestrutura de energia, incluindo processo de armazenamento, ferrovias e desenvolvimento marítimo e portuário.

O consumo de petróleo e gás natural doméstico subiu na década passada, e subiu acima do que as nossas redes estavam preparadas para acomodar. Antes de os Estados Unidos serem autossuficientes em petróleo, a nossa malha de transporte de petróleo e gás priorizava transferir os insumos da costa para o interior. Agora, com a extração surgindo em locais como o Norte de Dakota e na Pensilvânia, essa infraestrutura precisa de mudanças.

A melhoria na infraestrutura de energia irá manter a eficiência e o acesso dela a pessoas físicas e jurídicas de forma constante e confiável. E isso oferece aos fabricantes americanos uma vantagem competitiva, reduzindo custos de energia e materiais para produzir aço, produtos químicos, refinaria de petróleo, plásticos, fertilizantes e uma infinidade de outros produtos.

"Os custos de eletricidade industrial nos Estados Unidos são, hoje, de 30 a 50% mais baixos do que os dos seus principais concorrentes estrangeiros. Com isso, os custos de fabricação norte-americanos são de 10 a 20% mais baixo do que na Europa e poderia ser de 2 a 3% menor que o da China em 2018"
“Os custos de eletricidade industrial nos Estados Unidos são, hoje, de 30 a 50% mais baixos do que os dos seus principais concorrentes estrangeiros. Com isso, os custos de fabricação norte-americanos são de 10 a 20% mais baixo do que na Europa e poderia ser de 2 a 3% menor que o da China em 2018”

De acordo com um estudo recente do Boston Consulting Group, os custos de eletricidade industrial nos Estados Unidos são, hoje, de 30 a 50% mais baixos do que os dos seus principais concorrentes estrangeiros. Com isso, os custos de fabricação norte-americanos são de 10 a 20% mais baixo do que na Europa e poderia ser de 2 a 3% menor que o da China em 2018. A estimativa é que isso traria cerca de 400 mil empregos para os norte-americanos, suportados principalmente pela indústria do xisto.

As emissões de gases de efeito estufa. O melhor uso de combustão limpa, como gás natural para geração de energia tem direcionado os EUA a essas reduções nos últimos vinte anos, fazendo do país líder mundial em redução de emissões e produção de petróleo e gás natural. Essa é a boa notícia. A má notícia é que as barreiras burocráticas impõem restrições de infraestrutura, e a torna dispendiosa, em algumas partes do país. Na Nova Inglaterra, por exemplo, se paga 53% mais eletricidade do que a média nacional, de acordo com a U.S. Energy Information Administration.

Já os estados do Nordeste americano estão bem posicionados para aproveitar os benefícios dos campos de xisto nas proximidades de Marcellus, mas não tem rede de distribuição de petróleo e gás suficientes. Portanto, a menos que a região invista em gás natural e infraestrutura de eletricidade, um estudo da New England Coalition for Affordable Energy indica que os custos mais elevados de energia pode prejudicar a competitividade das empresas da área, custando 52 mil empregos no setor privado entre 2016 e 2020 na região.

Além de reduzir os custos de energia para residências e empresas, o investimento em infraestrutura, por si só, estimula a economia. Somente os investimentos essenciais para o setor de óleo e gás, por exemplo, poderia estimular até U$ 1,15 trilhão em novos investimentos de capital privado nos próximos 10 anos, gerando 1,15 milhões de empregos e acrescentando U$ 120 bilhões no PIB norte-americano.

Oitenta por cento dos eleitores americanos apoiam o desenvolvimento de infraestrutura própria de energia. Oleodutos representam, geralmente, o mais alto nível de infraestrutura de energia, com um registro de segurança altíssimo, transportando 16,2 bilhões de barris de petróleo bruto e produtos petrolíferos a uma taxa de segurança de 99,99%, de acordo com os dados mais recentes da iniciativa Pipeline Safety Excellence.

A Câmara e o Senado americanos aprovaram uma lei de energia bipartidária que tornaria processo de construção de gasoduto mais prático e eficiente. Ao promover o projeto de lei por meio de conferencia e colocá-lo à mesa do presidente, legislativo pode alcançar o progresso bipartidário em direção da energia acessível e da criação de emprego.
As companhias de energia já estão investindo na infraestrutura que nós precisamos e trabalhadores especializados nesse tipo de construção estão prontos para atuar. Portanto, se os candidatos à presidência norte-americana quiserem trabalhar pautas rápidas para impulsionar a economia, os projetos de infraestrutura de energia devem estar no topo da lista.
* Robin Rorick é diretor de operações industriais da American Petroleum Institute (API)

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