IoT encontra soluções para avançar ainda mais

Nelson Valêncio – 24.06.2020 – Alguém já disse que o clichê, às vezes, é a melhor resposta para muitas questões. Então vamos a ele: a expansão da Internet das Coisas (IoT) é uma realidade. E há vários caminhos para o uso cada vez maior de dispositivos desse tipo. Iniciativas como a da Cavli Wireless, uma fabricante de módulos para IoT celular, é uma delas. A empresa propõe a simplificação do ecossistema de parceiros e aposta na redução de custos, o que facilitaria a adoção do IoT por pequenas e médias empresas. É uma solução, mas existem outras.

Outra, destacada recentemente pelo portal Enterprise IoT Insights, fala do casamento de redes de curto e de amplo alcance para o IoT. Tal união traria o melhor de cada uma dessas infraestruturas. O que se fala é da combinação entre tecnologias como o BLE, sigla para Bluetooth Low Energy ou Bluetooth de baixo consumo de energia, com o LTE-M, tecnologia que usa a rede convencional das operadoras móveis, demanda custos maiores, mas alcança distâncias que o BLE não vai atingir.

A mescla de opções garante o uso de dispositivos BLE para monitorar vários tipos de processos, considerando que eles possuem chips mais baratos, embora robustos, e são movidos por baterias que demandam pouco consumo de energia. Além de incorporem sistemas embarcados nos chips (SoCs), os dispositivos BLE possuem uma tecnologia que já está ativada em smartphones e podem se comunicar com muitos equipamentos que fazem parte do nosso dia a dia. As barreiras para eles, no entanto, envolvem seu curto alcance – centenas de metros nas melhores condições – e a incompatibilidade com alguns protocolos.

Saindo do universo de redes locais para as baseadas em celular, a questão do alcance e da compatibilidade se modificam. Redes de IoT baseadas em celular e com baixo consumo de energia – importante para termos baterias que durem anos – podem “conversar” normalmente com a infraestrutura móvel celular tradicional e, assim, ir literalmente mais longe. Os entraves, por seu turno, envolvem custos.

Como destacam os especialistas, os chips IoT celulares são grandes, caros e consomem muita energia em comparação com os SoCs baseados em BLE. Eles também são difíceis de conectar em rede. A solução? Voltar ao começo do nosso texto e validar o casamento entre ambos os tipos, uma infraestrutura híbrida de IoT. O modelo padrão, segundo o artigo da Enterprise IoT Insights é o de “redes de sensores baseadas em malha de curto alcance, que são transportadas de volta em estações base de área ampla, cuidadosamente implantadas”.

Como BLE e IoT celular não se comunicam diretamente porque usam protocolos diferentes, a ideia seria construir gateways com rádios gêmeos, que são conectados com fio: um chip BLE vinculado à rede mesh de curto alcance e um sistema em pacote baseado em celular para se comunicar com a nuvem. É um casamento feito físico em hardware, inteligente em software e produtivo em dados, o que gera ganhos abundantes em termos de operações comerciais.

Lembrando que essa é uma solução proposta para duas das tecnologias atuais e em operação. Outros modelos podem ser pensados, mas o conceito em si está colocado e mostra novamente como a área de telecomunicações pensa rápido. O que poderia, sem dúvida, ser emulado em outros segmentos de infraestrutura.

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