Itaipu Binacional instala linha subterrânea de energia

Redação – 26.08.2019 –

Infraestrutura alimenta serviços auxiliares de Furnas e tem aproximadamente 12 km de extensão

Parte da infraestrutura subterrânea já existia. Fotos: Alexandre Marchetti | Itaipu Binacional

 

A usina de Itaipu Binacional “enterrou” o cabeamento de energia que alimenta os serviços auxiliares de Furnas, eliminando a necessidade de 52 postes que sustentavam a infraestrutura. Tanto eles como o cabeamento aéreo deixam de funcionar com a rede subterrânea de 12 km recém-instalada. Trata-se de um sistema de transmissão de 13,8 kV da usina de Itaipu, utilizado como  fonte  alternativa externa para os serviços auxiliares de 60Hz da Subestação de Foz do Iguaçu, da Eletrobras Furnas.

A instalação da nova linha levou sete meses para ser concluída e envolveu todas as superintendências da Diretoria Técnica – Operação, Obras, Manutenção e Engenharia. O  gerente  do  Departamento  de  Operação do Sistema de Itaipu, José Benedito  Mota Júnior, explica que a linha está ativa desde 1986 e funciona como  um  nobreak  para  os  serviços  auxiliares  de Furnas, que incluem a alimentação   para   painéis,   para   o   sistema   de   refrigeração  dos transformadores, para iluminação, entre outros serviços.

A partir de 2011, por determinação do Operador Nacional do Sistema (ONS), a linha  também  passou a integrar a estratégia de recomposição do sistema  de  transmissão  em  765 kV – que leva a energia de Itaipu para os centros  de  consumo da região Sudeste. “Essa linha [de 13,8 kV] ganhou uma importância  maior,  devido  a  essa determinação do ONS, para recomposição mais  rápida  do  sistema  de 765 KV em caso de desligamento geral da ST-FI 60Hz  (a  subestação)  e do tronco de 765kV. Por isso, é necessário que ela esteja em operação e com alta disponibilidade”, afirma Mota.

Foi exatamente para elevar a disponibilidade que a Superintendência de Operação solicitou, em 2013, um estudo para a Superintendência de Engenharia. O supervisor de Operação da Usina, Marcos Isnardi Peres, da Divisão  de  Operação da Usina e Subestações de Itaipu, observa que a linha aérea   passa   por  dentro  do  Refúgio  Biológico Bela Vista  e sofria desligamentos  frequentes, provocados por quedas de galhos, contato de animais e condições atmosféricas adversas.

A indisponibilidade programada também era maior. Um exemplo é a necessidade de manejo constante da vegetação no entorno dos postes. “Se compararmos com outras  linhas de Itaipu, essa que passa por dentro do Refúgio tinha uma frequência de desligamentos muito superior”, indica.

Solução subterrânea

A  Superintendência de Engenharia analisou as opções e indicou o enterramento da linha aérea como solução mais adequada. O engenheiro Jacson Regis Arnhold, da Divisão de Engenharia Eletromecânica, lembra que já havia dutos  instalados  até a área do Refúgio Biológico e, portanto, mais de 80% da infraestrutura estava pronta.

“Isso facilitou a nossa decisão. Além do mais, a rede subterrânea tem uma série de vantagens em relação a uma rede compacta, que foi outra opção avaliada”, diz. Entre as  vantagens estão maior segurança (por não haver cabos  expostos),manutenção com  menor frequência, menor impacto ao meio-ambiente com inexistência de faixas de passagens, maior confiabilidade e menor exposição  a  interferências  externas  como descargas atmosféricas, galhos e animais na rede, entre outros.

Projeto pronto e licitado, a primeira fase da instalação foi construir  o  trecho  final  de  dutos  do  Refúgio Biológico até Furnas. A estrutura é de Polietileno de Alta Densidade (PEAD), acomodada em valas de 60 centímetros  de profundidade. Para melhor distribuir o calor dos cabos,foi colocada areia em cima e embaixo dos dutos, uma camada de concreto de 5 centímetros para proteção mecânica, terra compactada, fita de sinalização e grama.

O gerente da Divisão de Montagem Eletromecânica, Josias Aguera da Costa, observa que  nos  dutos antigos já haviam cabos energizados, o que demandou um cuidado maior na  execução do serviço e o envolvimento da Segurança do Trabalho. A execução ocorreu paralelamente à modernização do pátio de Furnas, o que também exigiu uma coordenação maior entre as empresas.

A parte final do trabalho foi lançar os cabos. A equipe aproveitou para instalar cabos de  fibra óptica,  para  atuar  como redundância de teleproteção das linhas de transmissão de 500 kV. Por fim, foi feito o comissionamento. “A Superintendência de Manutenção faz os  ensaios finais antes de energizar a linha. Verificamos todas as condições de infraestrutura, a integridade do equipamento em si (o cabo),  a conferência da sinalização, do faseamento, entre outros serviços.

Trata-se de um check-up geral antes de energizar a linha”, explica o engenheiro  Gilberto  Massanobu Yamamura, da Divisão de Engenharia de Manutenção Elétrica. “O projeto e a obra foram muito bem executados e não encontramos nenhum problema para concluir o comissionamento.”

José  Benedito  Mota Júnior destaca que a entrada em operação da rede subterrânea  garante maior confiabilidade e disponibilidade ao sistema, com desempenho compatível com o novo grau de importância estabelecido pelo ONS. A expectativa agora é que os desligamentos programados e não programados ocorram numa frequência muito menor.

O gerente acrescenta que o trabalho só foi possível graças à integração de todas as áreas da Diretoria Técnica e também entre diretorias e empresas. “Trata-se de apenas uma linha,  mas  há  muitos  detalhes envolvidos. Se uma área não executa um serviço, interrompe o fluxo de trabalho. E tudo funcionou perfeitamente”, elogiou.

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