Itaipu oficializa frota movida a esgoto

Da Redação – 05.06.2017 –

Empresa ativa unidade de demonstração de biogás e biometano em Foz de Iguaçu, que vai abastecer 80 veículos. Centro será modelo de uso de biocombustíveis para prefeituras e pode atender àPolítica Nacional de Resíduos Sólidos

O uso de biogás e biometano como combustíveis não é novidade, mas Itaipu Binacional está criando história por outras razões. Primeiro por mover sua frota de 80 veículos com biometano e, segundo, por criar um centro de demonstração para os dois tipos de combustíveis com o objetivo de mostrar que seu modelo é sustentável e replicável para outros locais do Brasil. Na prática, o centro vai gerar biocombustíveis a partir de esgoto, restos orgânicos de restaurantes e até de grama cortada. Trata-se de uma diversificação, considerando que outros projetos de biogás no país ficam restritos ao uso de dejetos animais.

Frota de 80 veículos já é movida a biometano, inclusive de esgoto
Frota de 80 veículos já é movida a biometano, gerado a partir de esgoto, entre outros

A operação, que acontece em parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás), já está em operação desde 15 de março e vai funcionar por 20 meses em regime de teste.  Mensalmente, ela pode tratar 10 toneladas de resíduos alimentares, gerados nos quatro restaurantes da área interna de Itaipu; 30 toneladas de poda de grama, provenientes dos 400 hectares de área verde da empresa; e 300 mil litros de esgoto, oriundos dos prédios administrativos.

A produção atual é de 4 mil m³ de biometano por mês, que pode abastecer 80 veículos da frota da usina, considerando um uso médio de 800 km por veículo ao mês. Só esta parte da frota vai economizar 5.650 litros de etanol. Ao custo de R$ 0,26 o m³ do biometano, contra R$ 0,36 do etanol, a economia financeira chega a R$ 15 mil todo mês. Como subproduto, são produzidos 300 mil litros de biofertilizante, que serão utilizados como adubo para canteiros e gramados da empresa. Cerca de 4 toneladas de gases causadores do efeito estufa também deixam de ser emitidos mensalmente.

Fabricada com tecnologia 100% nacional, a planta de biogás custou menos de um terço de uma solução que seria importada da Alemanha. O custo total de implantação do projeto foi de R$ 2.160.053 – o que inclui gastos com pesquisa e desenvolvimento tecnológico, por se tratar de um projeto inovador no Brasil. Com a consolidação deste modelo de negócios, a replicação terá um custo mais baixo.

O modelo pode ser levado a indústrias, cooperativas, hotéis, além de servir como política pública para as prefeituras resolverem o problema do lixo urbano e atenderem às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (criada pela Lei 12.305/10) de eliminar os lixões entre 2018 e 2021. “Queremos mostrar às prefeituras que elas podem usar os resíduos sólidos para gerar gás e este gás pode abastecer a frota do município”, explica o diretor presidente do CIBiogás, Rodrigo Régis.

De acordo com ele, as principais qualidades da planta dizem respeito ao material aplicado e à possibilidade de se adaptar às diferentes escalas de produção. Os biodigestores foram fabricados em fibra de vidro, material inovador por ter baixo custo e alto isolamento térmico. Eles também foram feitos em módulos, ou seja, podem aumentar ou reduzir de tamanho, de acordo com a demanda. Agora, os técnicos vão estudar o processo e analisar as diferentes composições da matéria-prima para reduzir ainda mais o custo de produção.

Atualmente, 41,6% das 216 mil toneladas de resíduos produzidos diariamente no País ainda vão para lixões. Segundo o IBGE, desse total, 51,4% corresponde à matéria orgânica que acaba despejada no solo, porque a compostagem para transformação em adubo é insipiente nas cidades.

 

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