Logística inteligente usa rede 5G no Brasil

Nelson Valêncio – 07.08.2020 –

A Huawei resolveu adotar para si mesma a otimização da logística com uso de uma rede de quinta geração (5G): a tecnologia foi aplicada no centro de logística da fabricante chinesa em Sorocaba, interior de São Paulo. A iniciativa começou a ser pensada em outubro do ano passado e entrou em operação em fevereiro desse ano, depois de licenciada pela Anatel para o uso privado. Na avaliação da fabricante, a experiência real em campo mostra que uma estrutura similar pode ser ativada em até três meses. Basicamente, a companhia definiu ativações tecnológicas no armazém de 22 mil metros quadrados que atende cerca de 15 mil sites no Brasil, mas ainda não fechou o retorno de investimento do projeto (ROI). Tem, no entanto, várias métricas apuradas.

A primeira observação é a respeito das etapas de mudança. A rede 5G foi adotada porque tem maior capacidade de transmissão de dados e menor latência. São fatores importantes porque parte importante da mudança é o uso de robôs para a movimentação de carga dentro do armazém e na chegada e despacho de materiais. Com capacidade para transportar 800 kg de uma só vez, os robôs dão conta do processo, mas não eliminaram completamente as empilhadeiras. Hoje, operadas manualmente, elas estão na rota de otimizações do projeto e deve ser adotado um modelo autônomo do equipamento. Pelo menos consta do roadmap do projeto. O 5G,com seu tempo de latência de 30 milissegundos, viabilizou a movimentação dos robôs em tempo real. Eles só param quando a bateria atinge cerca de 18% da carga total. Todos estão equipados com um CPE, o terminal que vai na ponta do processo e é similar aos que temos em casa.

A otimização no centro de distribuição eliminou as redes locais (Wi-Fi) e as outras possibilidades como a rede de celular convencional das operadoras. O que vale é a única antena de 5G e repetidores em vários pontos. A identificação por rádio frequência (RFiD), velha conhecida da logística, no entanto, permanece e foi modernizada. É uma RFiD sensitiva à internet das coisas, opera em tempo real, elimina o papel e faz a informação fluir na mesma hora. O resultado é que uma caixa movimentada dentro do centro de distribuição pode ser rastreada o tempo todo e evita erros de despacho (antes de embarcar um sistema semafórico indica que a carga despachada é a carga pedida). O inventário também funciona em tempo real e permite o giro eficiente dos materiais armazenados. O ganho de transparência fecha o ciclo de mudanças com o projeto.

Como tem um sistema de pesagem e medidas das embalagens a serem despachadas, o sistema faz um alinhamento com os caminhões que vão transportar os materiais até os sites atendidos. Lembram-se do sistema semafórico? Ele e outros recursos permitiram que a produtividade aumentasse dentro do armazém, inclusive com ganho de área, cerca de 2 mil m2, uma das métricas citadas acima. Na prática, mais materiais podem ser colocados no chão para montagem. Na fase final de despacho, cada operador passou a atender 3,8 sites por hora contra os anteriores 1,8 sites por hora. O período de produção aumentou em 30% e os erros de localização do material dentro do armazém caíram 35%.

De forma geral, a Huawei afirma ter aumentando a eficiência do armazém em 25%, com redução dos períodos de produção – entre outros ganhos – de três dias para um dia. O giro do inventário aumentou em 20%, reduzindo o risco de manter ativos por muito tempo no estoque. Os processos – antes 12 – foram reduzidos para sete. Quando tiver os números fechados de retorno de investimento, a experiência poderá ser medida ainda de forma mais clara. O que a empresa não definiu é o modelo de aplicação do processo: se a própria indústria em geral vai montar a nova rede e todo o aparato ou se haverá uma parceria com operadoras para o avanço do 5G em redes privadas. A conferir nos próximos meses.

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