Mais da metade das obras de água e esgoto do PAC estão atrasadas nas grandes cidades

Da Redação 02.09.2015 –

Dados do Instituto Trata Brasil são referentes a 2014 e indicam que o cronograma não foi cumprido em 52% dos municípios com mais de 500 mil habitantes que fazem parte do PAC.

O Instituto Trata Brasil, organização sem fins lucrativos que acompanha o setor de saneamento, atualizou o balanço das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de água e esgoto, compilando as informações do ano passado. De acordo com o Instituto, das 337 obras que foram planejadas em cidades com mais de 500 mil habitantes, 175 delas estavam paralisadas, atrasadas ou nem haviam sido iniciadas até dezembro de 2014. Esse total representa 52% dos projetos previstos. Ainda de acordo com o levantamento, somente um terço dos empreendimentos havia sido concluído no final do ano, ou mais exatamente 98 obras. O restante – 19 projetos – estaria pronto fisicamente, mas não foi entregue.

Os problemas teriam várias origens, a começar pelos atrasos na elaboração de projetos executivos e nas licitações, até o adiamento dos projetos em função da seca que atinge alguns estados. Segundo o Instituto, o impacto do atraso é grande, uma vez que os investimentos nas mais de 300 iniciativas listadas pelo Governo Federal somariam cerca de R$ 21,1 bilhões. O montante envolve 213 obras da primeira fase do PAC, das quais 45% já estão concluídas, e 124 projetos do PAC 2, no qual apenas 2% das obras estavam concluídas no final de 2014. E mais: 41% dos empreendimentos da segunda fase sequer haviam sido iniciados. Apesar de em menor número, os projetos na área de esgoto (181) enfrentam mais problemas, com uma média de 54% deles com status de paralisados, atrasados ou não iniciados.

One thought on “Mais da metade das obras de água e esgoto do PAC estão atrasadas nas grandes cidades

  1. Carlos Eduardo Sheimberg - Engenheiro de Projetos, Construção e Montagem da EPC Engenharia disse:

    Conforme o Site do referido Instituto, os motivos dos atrasos estão copiados abaixo:

    O presidente do Trata Brasil, Edison Carlos, disse que, na avaliação das duas fases do programa (PAC 1 e PAC 2), há um avanço satisfatório das obras mais antigas. ‘Quando a gente faz um recorte do PAC 1, ou seja, de projetos assinados entre 2007 e 2009, aí teve um avanço importante, com 45% dessas obras mais antigas concluídas’, destacou.

    Os atrasos da primeira fase estão muitas vezes relacionados, de acordo com Carlos, a projetos iniciais ruins, quando as prefeituras e companhias de saneamento ainda não estavam preparadas para fazer os investimentos. ‘O PAC 1 sofreu muitos problemas por conta da má qualidade dos projetos que foram apresentados à época. O governo Lula colocou o PAC, mas ninguém tinha projeto novo’, ressaltou.

    Em relação às obras mais recentes, os atrasos acontecem por motivos diversos, como os entraves burocráticos, segundo o estudo. ‘Entram outros gargalos, licenças ambientais, licença de instalação: problemas de burocracia na aprovação das várias fases em que o projeto tem que tramitar’, afirmou o presidente do instituto.

    Em São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que algumas obras foram postergadas devido à crise hídrica. ‘Devido à extrema escassez hídrica que assola a Região Sudeste e em especial o estado de São Paulo, fez-se necessária uma revisão no plano de investimentos da Sabesp, no qual priorizamos a execução de obras de abastecimento de água’, disse o presidente da companhia, Jerson Kelman, em carta na qual responde questionamentos do Trata.

    Por meio de comunicado, o Ministério das Cidades informou que, além da necessidade de rigorosa observância às leis, outros fatores atrasam o andamento das obras, com a falta de quadros técnicos qualificados nos municípios e problemas nos projetos. Segundo o ministério, parte dos investimentos só foi definida recentemente. /Agência Brasil.

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