Novembro nada azul para implementos pesados

Da redação – 09.12.2016 –

Recuperação em 2017, segundo Anfir, só começa se houver mudanças nas regras de financiamento de equipamentos.

O ano não acabou, mas já provou que de janeiro a novembro a cor azul não fez parte do segmento de reboques e semirreboques. O setor amargou uma redução de 21% de janeiro a novembro desse ano em relação ao mesmo período de 2015. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), a indústria entregou 21.492 reboques e semirreboques e o volume desses implementos pesados emplacados teria somado pouco mais de 27 mil.

No segmento de carroceria sobre chassis (Leves), a queda nos emplacamentos chegou a 35,4%. De janeiro a novembro de 2016 a indústria entregou 35.242 produtos enquanto que no mesmo período de 2015 o total vendido foi de 54.547 unidades. No total, os emplacamentos de implementos rodoviários apresentaram retração de 30,6% de janeiro a novembro desse ano ante o mesmo período de 2015. Em 11 meses a indústria entregou ao mercado 56.734 unidades contra 81.766 no ano passado.

“Sem uma alteração nas regras de financiamento para 2017 será muito difícil para a indústria aproveitar qualquer sinal de aquecimento da economia”, avalia Alcides Braga, presidente da Anfir.

Pelo modelo atual, os empréstimos no Finame podem representar custo anual de até 18% porque o BNDES, mesmo emprestando para até 90% do bem, opera com duas faixas de juros: uma para até 50% e 60%, para grandes e Pequenas e Médias Empresas (PME), respectivamente, e outra para a diferença até o teto. “É justamente essa diferença, que é calculada com base em vários índices, que acaba encarecendo a operação”, explica Braga.

O presidente da Anfir lembra que a adoção para o volume total do valor financiado na fórmula tradicional, isto é, TJLP (7,5%), mais spread bancário (2%) e a parte do agente financeiro (3%), seria um bom suporte para a indústria. “Isso totaliza taxa anual de 12% a 13% o que é perfeitamente viável”, afirma Braga. “Não queremos subsídio”, completa.

Na avaliação da entidade, mesmo com a adoção imediata de novas regras para financiamento de bens de capital os resultados positivos demorariam a aparecer. “A venda de implemento rodoviário é uma operação que naturalmente demanda tempo. Por ser bem de capital o cliente precisa pesar com precisão a necessidade de realmente adquirir produtos novos”, explica Mario Rinaldi, diretor Executivo da Anfir.

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