O que os britânicos têm a nos ensinar sobre gestão de água?

Da Redação – 05.10.2015

Fitabes, que começou ontem, traz especialistas do Reino Unido. Eles falam da experiência bem sucedida das Olimpíadas de Londres, em 2012, na área de gerenciamento de recursos hídricos.

A indústria de água do Reino Unido foi privatizada em 1989 e passou a ser acompanhada de perto por uma agência regulatória. Desde 2006, a Water Services Regulation Authority (Ofwat) assumiu o papel de regulação na Inglaterra e no País de Gales, com resultados interessantes. Hoje, os dois países têm 32 concessionárias privadas, que atendem cerca de 50 milhões de consumidores residenciais e não-residenciais.

Se forem fidedignos os dados listados no relatório anual mais recente (2014), os ingleses e galeses, por exemplo, terão uma redução de 5% nas suas contas de água entre esse ano e 2020. Já os problemas de interrupção de fornecimento devem cair 32% em 2020 enquanto 4,7 mil propriedades deixarão de ser inundadas por vazamentos nas tubulações de esgoto. As politicas de combate a vazamentos de água e o uso eficiente do recurso teriam levado a uma economia de 370 milhões de litros de água por dia.

Bom, é com essa experiência que especialistas do Reino Unido participam do 28º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, que começou ontem no Rio de Janeiro e vai até quarta, dia 07. Segundo a organização da feira, o legado olímpico de Londres em 2012 em gestão de água será um dos temas principais, com destaque para a participação de Judith Sykes e Nic Clay-Michael.

Judith, diretora da Useful Simple Projects, fala especificamente da experiência dos Jogos Olímpicos de 2012 na área de gerenciamento de água. Já Clay-Michael deve compartilhar sua experiência técnica no controle de perdas e citará casos, incluindo as ações da Thames Water, maior fornecedor de água e serviços de águas residuais do Reino Unido e de outras empresas de saneamento.

“O Reino Unido investe constantemente em pesquisa, inovação e desenvolvimento de novas tecnologias nas áreas de abastecimento, reuso, qualidade da água, uso sustentável da água e tratamento de efluentes. Queremos compartilhar a nossa experiência com o Brasil”, afirmou o Cônsul Geral Britânico no Rio de Janeiro, Jonathan Dunn.

De acordo com o consulado geral britânico no Rio, o Reino Unido tem um aparato de 18 mil estações de tratamento de esgoto (ETEs), 1.433 estações de tratamento de água (ETAs) e 5.950 reservatórios, distribuídos entre Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

A indústria de água britânica conta com décadas de experiência no desenvolvimento de técnicas e soluções integradas na gestão de recursos hídricos. Suas 20 concessionárias de saneamento investem 5,8 bilhões de libras em recursos todo ano e 5,17 bilhões de libras em serviços, ou seja, quase 11 bilhões de libras no total. Há 400 empresas de engenharia especializada gerando receitas de 1,5 bilhões de libras.

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