Painéis sobre flutuadores tomam lugar ao Sol

Por Rodrigo Conceição Santos – (Especial LAUW 2017) – 21.09.2017 –

Hidrelétrica de Sobradinho quer ser impulsionadora do sistema e começa estudos para implantá-lo em área equivalente à de um campo de futebol e capacidade de gerar 1 Mwh sobre o seu reservatório.

A geração de energia solar por meio de painéis fotovoltaicos está mesmo em voga no Brasil. E no mundo. O comparativo de que em 2010 havia aqui apenas nove sistemas desse tipo ligados à rede de distribuição de energia, enquanto hoje já são mais de 13 mil, comprova a máxima. Mundialmente, países como China, Índia e EUA aumentam aceleradamente suas instalações e isso tem levado a uma tendência de queda nos componentes e, consequentemente, no preço do kWh gerado por esse meio, o que deve tornar a solução cada vez mais popular e competitiva. Competitiva inclusive ao ponto de acirrar a concorrência entre os diferentes métodos de implantação, motivo pelo qual os sistemas de painéis sobre flutuadores já querem tomar os seus “lugares ao Sol”.

“Hoje é possível instalar painéis solares fotovoltaicos em vários espaços físicos: sobre flutuadores, sobre telhados, sobre canais fluviais, off shore, como painéis de fachada, centralizados em terrenos, etc.”, diz José Bione de Melo Filho, gerente do departamento de engenharia de geração solar da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).

A Chesf está investindo nos flutuadores, desenvolvendo a implantação sobre o reservatório da Usina de Sobradinho, na bacia do Rio São Francisco (BA). “Trata-se de um projeto com capacidade inicial de geração de 1 Megawatt por hora”, diz Bione. “Essa planta terá tamanho equivalente ao de um campo de futebol”, completa.

De acordo com o especialista da Chesf, há diversas experiências mundiais, e até nacionais, de painéis solares fotovoltaicos sobre flutuadores. A maioria de pequena capacidade de geração, despontando alguns grandes empreendimentos na China, Canadá, Índia e EUA, onde há plantas que chegam a 850 Mwh de capacidade.

“As plantas de geração estão localizadas em locais de água parada, o que torna o projeto de Sobradinho ainda mais desafiador”, diz José Bione. Por isso, acrescenta ele, estão em curso estudos cuidados relativos ao sistema de ancoragem, capaz de administrar com segurança variáveis de vento e suas consequentes formações de ondas.

Por outro lado, avalia ele, o sucesso dessa operação abre precedente para a promissão do mercado, já que há estudos mostrando que os painéis solares instalados sobre flutuadores geram cerca de 10% mais energia do que os instalados sobre terrenos, devido ao resfriamento proporcionado pela água.

“O Brasil tem 198 usinas hidrelétricas com seus reservatórios, a exemplo da UHE Sobradinho, além de mais dez em construção e cinco leiloadas e a serem construídas. Uma vez bem-sucedida a instalação em Sobradinho, abre uma janela de oportunidades para esse tipo de aplicação no país”, diz.

Mas ele reconhece que ainda é o começo desse mercado aqui, onde há uma série de detalhes a serem resolvidos, começando pela questão ambiental. “Não se pode, por exemplo, cobrir toda a lamina d’água com os painéis solares flutuantes, pois isso prejudica a vida aquática”, pontua.

Mesmo com a ponderação, ele calcula uma extensão de 38 mil km² de áreas de reservatórios de hidrelétricas no Brasil, sendo que 30 mil km² disso é de área útil para flutuadores. “Se pensarmos em 10% disso, o que é bem razoável para as questões ambientais, estamos falando de 3 mil k². É muita área a ser explorada pelos painéis solares flutuantes”, completa.

Outro fator positivo para os sistemas flutuantes, segundo Bione, é a simplicidade de implantação, face a outros métodos. “A estrutura de instalação é muito simples, necessitando apenas dos flutuadores, ancoragens e módulos”, diz ele. “Os cabos saem da planta, é feito o processo de conversão e transforma-se a energia”, conclui, salientando que em Sobradinho a energia gerada por esse meio será usada para serviços auxiliares inicialmente, podendo ser integrada à linha de transmissão futuramente.

InfraROI realiza a cobertura do Latin America Utility Week que está acontecendo em São Paulo nessa semana – de 19 a 21 de setembro.

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