Quanto vale um provedor de telecomunicações?

Nelson Valêncio, do InfraDigital (especial para o FTTH Meeting)  – 24.09.2020 –

Segundo consultor, métrica usada adota múltiplos de EBITDA para precificar as operações no segmento

Os provedores de telecomunicações, empresas de menor porte que hoje formam juntas uma espécie de quarta maior operadora do país, têm seu preço segundo o consultor Rafael Tenório, da RTL Consulting. Ele foi um dos palestrantes da 4a edição virtual do FTTH Meeting, que aconteceu nessa terça e quarta. De acordo com Tenório, o EBITDA, sigla em inglês para lucro antes dos impostos, juros, depreciação e amortização, é o padrão de avaliação para operações com mais de 10 mil assinantes. “Estamos falando de múltiplos de cinco a oito para avaliar o valor de um provedor”, explicou. Na prática, significa dizer que os prováveis compradores analisam as demonstrações contábeis, em especial a EBITDA, multiplicam o valor por cinco (exemplo), descontam as dívidas líquidas e fazem a sua oferta. Considerando é claro entre 30% e 40% do EBITDA como base de cálculo.

Para os provedores que ainda não tenham ultrapassado o número de assinantes de pelo menos uma dezena de milhar de usuários, as negociações geralmente não passam pela análise da EBITDA, conhecida na contabilidade brasileira como Lajida (é a mesma coisa, traduzida para o português). O parâmetro de medida – EBITDA ou o volume de assinantes – é importante para um mercado que tem sido movimentado por aquisições. Estamos falando de fundos de investimentos adquirindo pequenos e médios provedores ou provedores comprando as operações de seus pares para expandir a rede e tornar-se ainda mais atrativos para futuras negociações. Independente do objetivo, Tenório lembra que conhecer as chamadas demonstrações financeiras é um diferencial para os donos de provedores.

De acordo com o consultor, os empreendedores podem aferir a saúde financeira do provedor ao avaliar indicadores como o fluxo de caixa e perceber no dia a dia como anda o seu negócio. Até mesmo para negociar com bancos ou com fornecedores, ele precisa saber como está sua liquidez corrente e não precisa esperar um ano para analisar isso, quando fecha o Balanço Patrimonial da empresa. Ele tem métricas que podem e devem ser acompanhadas em períodos mais curtos. É um aprendizado que os empreendedores devem ter com seus contabilistas e tornar uma prática de gestão, na avaliação de Tenório.

A análise do chamado DRE ou Demonstração de Resultado do Exercício, uma fotografia da operação, pode indicar se a receita está aumentando ou não, assim como os custos. Ela pode explicar aquela situação inusitada na qual o provedor tem uma equipe comercial que vende muito, mas cuja receita não aparece.

Uma possibilidade é a que a área técnica esteja com gargalos, acumulando um backlog grande de instalações. Temos, nesse caso, um problema operacional que precisa ser corrigido e as demonstrações financeiras podem ter sido o começo da identificação do problema.

Rafael Tenório, assim como dezenas de outros especialistas, palestrou no segundo dia da 4ª edição do FTTH Meeting, cujas apresentações podem ser vistas gratuitamente em www.ftthmeeting.com.br.

(*) O InfraDigital é um projeto comum de conteúdo do InfraROI e o do IPNews. Para informações sobre o formato, consulte Jackeline Carvalho (jackeline@cinterativa.com.br), Nelson Valêncio (nelson@canaris-com.com.br) ou Rodrigo Santos (rodrigo@canaris-com.com.br).

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