Recicladora de concreto reduz desperdício de água e reaproveita agregados

Por Rodrigo Conceição Santos – 26.08.2015 – 

Na crise hídrica, equipamento que permite a reutilização da água usada na lavagem das betoneiras para produção de nova mistura de concreto ganha destaque. Tecnologia também lava e separa agregados para uso em base e sub-base de obras de infraestrutura ou para nova classificação de agregados.

Projeto Ilha Pura, no RJ, usa o reciclador em conjunto com outras tecnologias
Projeto Ilha Pura, no RJ, usa o reciclador em conjunto com outras tecnologias

Você já pensou no que ocorre com o resto de concreto que sobra depois do despejo do balão betoneira na obra? A Schwing-Stetter pensou e percebeu que esse residual – que corresponde a cerca de 2% do total transportado pelo balão betoneira – é valioso. Afinal, além de poder ter a brita e a areia reaproveitada, é por conta desse resíduo que os balões betoneira precisam ser lavados após a viagem, gerando desperdício do material residual e ainda exigindo o consumo de água na lavagem. E nesta época de crise hídrica, é importante lembrar que a lavagem de cada balão betoneira consome cerca de 400 litros (esse volume é suficiente para o banho de duas pessoas).

A solução da fabricante alemã é a recicladora de concreto residual. O equipamento é disponibilizado em duas versões, uma de 12 m³ e outra de 20 m³ por hora de capacidade de reciclagem. “Por meio de um ciclo fechado e organizado por software específico, o processo começa com o despejo do material residual da betoneira na recicladora, que executa um processo de lavagem, separando os agregados finos e grossos”, diz Luiz Polachini, gerente comercial de equipamentos da Schwing-Stetter.

O material seco pode servir diretamente como base ou sub-base de obras de infraestrutura, como rodovias e aterros, ou ser destinado a um processo de classificação, para destinamento mais específico da brita e areia extraída na reciclagem. “Além desse aproveitamento, essa máquina resolve outro dilema do mercado, que é sobre o que fazer com a água usada para lavar esses agregados”, diz.

O engenheiro explica que, apesar do sucesso na separação dos agregados, essa água ainda está misturada ao cimento, cujas partículas inferiores a 0,2 mm são impossíveis de serem separadas na lavagem. “Então o diferencial desse processo é utilizar essa água para a produção do traço da próxima remessa de concreto, permitindo com que 100% do material seja reaproveitado e que ainda se elimine o descarte de água com cimento incorretamente ao meio ambiente”, completa.

O especialista pondera que, nesse caso, a concreteira precisa organizar um laboratório, capaz de avaliar as propriedades da água de retorno com o residual de cimento para indicar qual a função que ela terá no traço da nova mistura.

Polachini salienta que a água usada na lavagem da betoneira também é automaticamente transferida para o reciclador, que a tratará junto com todo o processo. Por isso ela pode ser totalmente reaproveitada, evitando o desperdício de 400 litros por lavagem, como pontuado no início desta reportagem. “Considerando que hoje, no Brasil, há cerca de 15 mil caminhões com balão betoneira atuando, segundo a Abesc (Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Concretagem) e que praticamente todos eles são lavados e têm a água desperdiçada depois, fica fácil identificar o potencial do reciclador de concreto residual na ação contra a crise hídrica”, finaliza o especialista.

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