Rede pode barrar banda larga móvel na América Latina e Caribe

Da redação – 29.02.2016 – 

Infraestrutura física é uma das quatro principais barreiras para o avanço do acesso à internet via celular e outros dispositivos.

A GSMA, grupo que representa os interesses de operadoras móveis de todo o mundo, divulgou, nesta semana, relatórios que apontam as barreiras para a inclusão digital na América Latina e Caribe. Entre os principais problemas, o grupo destacou a falta de infraestrutura física de internet para locais que possuem baixo índice demográfico, como cadeias de montanhas, florestas e ilhas. O motivo seria a falta de colaboração e associação dos setores público e privado, o que inviabiliza o investimento comercial neste tipo de rede.

Outros três pontos são abordados no relatório, sendo o primeiro deles a falta de conteúdo relevante na internet, tanto no que se refere à linguagem – menos de 30% do conteúdo acessado na América Latina está em Espanhol ou Português, idiomas predominantes na região – quanto no que diz respeito ao conteúdo publicado.

O segundo fator apontado é a falta de competência digital. De acordo com os estudos, a falta de infraestrutura de Telecomunicações e Tecnologia da Informação (TIC) para aprendizagem e apoio à educação digital impede que muitos usuários da banda larga móvel explorem os benefícios oferecidos por ela.

A acessibilidade e a desigualdade de renda fecham o quadro dos principais problemas para o acesso à internet móvel. Segundo a GSMA, os impostos sobre os serviços móveis dificultam o interesse das pessoas na ferramenta. “Portando, uma redução de impostos específicos e nas taxas que se aplicam, tanto aos consumidores quanto às operadoras, poderia contribuir para melhorar a acessibilidade”, disse o grupo por meio de nota oficial.

Atualmente, América Latina e Caribe possuem população total de 365 milhões de pessoas. Desse número, 10% ainda não tem acesso à cobertura de rede, seja ela 3G ou 4G. Mesmo assim, dos que possuem a rede, somente 30% passou a utilizar a internet banda larga nos últimos anos. Com isso, temos quase 60% da população dessa região ainda sem conectividade. Só no Brasil, são cerca de 100 milhões, apontam os relatórios.

“A banda larga móvel é o principal meio de oferecer acesso à internet a preços reduzidos na América Latina e Caribe. Essa possibilidade gera uma ampla variedade de benefícios socioeconômicos”, afirma Sebastián Cabello, diretor da GSMA para a região. “Entretanto, há também o risco de se ampliar a exclusão digital na região, em consequência do fato de que milhões de pessoas não podem ou não querem usar os serviços de banda larga móvel. Assim, pedimos aos governos que trabalhem em conjunto com a indústria móvel para enfrentar as barreiras que freiam a adoção”, conclui.

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