Redes híbridas ainda são maioria nos provedores, destacam especialistas do 8° ISP, que se encerra hoje em São Paulo

Nelson Valêncio – editor executivo – 03.06.2016 –

Fibra até a casa do assinante é meta, mas a maior parte dos provedores convive com infraestrutura mista de telecomunicações, revela pesquisa informal.

Especialistas reunidos no 8° ISP, promovido pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), indicam que as redes ópticas, principalmente a arquitetura que leva esse meio até a casa do assinante, a FTTH (fiber to the home), devem ser dominantes no futuro próximo. Mas a convivência com a infraestrutura híbrida (rádio + fibra, rádio + redes híbridas de fibra óptica e cabo coaxial, HFC, etc) ainda é uma realidade. Essa constatação não veio de uma pesquisa informal feita por Orlando Ferreira Neto, CEO da Unotel/iONTV, ontem no evento que acontece em São Paulo e que se encerra hoje.

O executivo simplesmente pediu que os provedores presentes no auditório principal respondessem algumas questões rápidas. Muitos foram os que levantaram as mãos quando perguntados se detêm redes híbridas. A grande maioria faz parte desse universo. Raras foram as ISPs que possuem uma rede totalmente óptica. No caso das operadoras que estão migrando sua infraestrutura aos poucos, a Cabo Telecom, do Nordeste, é um exemplo que se destaca.

Décio Feijó, gerente de engenharia da empresa, destaca que a Cabo Telecom decidiu que suas novas redes só devem ser construídas com fibra óptica, pavimentando a estrada para a oferta cada vez mais dinâmica de TV por assinatura via IP (IPTV). A operadora tem cerca de 100 mil assinantes e uma infraestrutura com 2 mil km, sendo a maior parte dela do tipo HFC, híbrida de fibra óptica e cabo coaxial. “Para os projetos greenfield (redes novas), adotamos completamente o FTTH”, informa Feijó. “A migração não é simples, mas o investimento vale a pena”, argumenta.

Jorge Salles, diretor de Operação da EnterPlay, lembra que as migrações para redes com maior capacidade devem acontecer paulatinamente. O executivo, no entanto, argumenta que os provedores devem apostar em tecnologias como redes definidas por software (SDN) e na virtualização das funções de rede (NFV) em suas infraestruturas ópticas. “Invistam em SDN o quanto puderem”, aconselha. Para ele, o investimento vai tornar as redes regionais muito mais aptas a serem compartilhadas com outras operadoras de maior porte.

Já Orlando, da Unotel/iONTV, mesmo a adoção cada vez maior da infraestrutura óptica não limita a adoção do rádio. Para ele, todo provedor tem área de cobertura onde não existe viabilidade econômica imediata para ativação da fibra. Nesses casos, o rádio continua como alternativa. “Soluções hibridas são as mais indicadas, pois suportam as demandas atuais e ajudam na transição para o futuro”, finaliza.

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