Rumo capta R$ 1,5 bi com debêntures sustentáveis

Redação – 04.05.2021 –  

A operadora logística Rumo captou R$ 1,5 bilhão por meio de Sustainability-Linked Debenture (“SLD”). Isso a tornou a primeira empresa brasileira a calcar recursos por meio da Lei 12.431/2011, que regulamenta o mercado de debêntures incentivadas e amplia as alternativas de financiamento em recursos de longo prazo.

A operação foi coordenada pelo Itaú BBA e a Rumo tem como meta reduzir em 15% as emissões de gases de efeito estufa por tonelada de quilometro útil (TKU) nas suas operações até 2023. “A meta reforça os compromissos com as práticas ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG), antecipando em dois anos o compromisso anunciado no último Relatório de Sustentabilidade”, informa a empresa.

Investimento de longo prazo

O aporte SLD será dividido em duas etapas de R$ 750 milhões, sendo que a segundo tem prazo de dez anos e dois meses para ser aplicada. Isso torna a captação incentivada mais longa e de maior volume de SLD já feita no mercado nacional.

De acordo com Ricardo Lewin, vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores da Rumo, a iniciativa demonstra o potencial do mercado de títulos ESG no direcionamento de recursos para projetos sustentáveis de infraestrutura. “A antecipação da meta é ambiciosa e nos motiva a tornar a operação ferroviária cada vez mais eficiente e sustentável”, diz.

Redução de emissões com modernização da frota

Desde que assumiu a concessão, em 2015, a Rumo reduziu em 26% o número de emissões específicas (equivalente a 750 mil toneladas de CO2). Grande parte dessas melhorias são atribuídas às iniciativas tecnológicas focadas na eficiência e segurança das operações.

A empresa conta com uma frota de mais de 270 locomotivas equipadas com os sistemas start/stop e Trip Optimizer (condução semiautonôma), além de sistemas como uso de inteligência artificial para escalas de maquinistas, que otimizam o tempo das operações. “Os resultados decorrem dos investimentos constantes na revitalização e modernização das nossas frotas nos últimos anos. A utilização de novos modelos de trens e as melhorias na infraestrutura das nossas operações, além do investimento em tecnologia e inovação, foram essenciais para que a operação fosse certificada e viabilizada”, explica Lewin.

Para a certificação ESG da emissão, a Rumo contratou uma certificadora independente que emitiu SPO (“second party opinion”), documento que atesta as iniciativas da Companhia e a meta de redução de emissões de carbono para 2023.

Esta é a segunda captação da Rumo de recursos que contribuam para tornar o modal ferroviário mais limpo e eficiente em menos de um ano. Em 2020, a empresa fez a captação de 500 milhões de dólares e emitiu o primeiro título verde da história das ferrovias de cargas da América Latina, com certificação pela Climate Bonds Initiative (CBI), organização internacional que trabalha na mobilização do mercado de títulos para soluções de mudanças climáticas.

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