Setor de pavimentos permeáveis prevê retomada em 2018

Por Rodrigo Conceição Santos – 18.04.2017 –

Solução mitiga a falta de drenagem em centros urbanos, ajudando a reduzir enchentes e poluição de lençóis freáticos, rios e lagos.

Pavimento Permeável de Concreto

O setor de pavimentos permeáveis de concreto vinha crescendo acima de 10% ao ano entre 2008 e 2013, muito em decorrência de leis municipais exigindo maior área permeável em condomínios residenciais, centros logísticos e de compras e galpões dos mais variados fins. De lá para cá, assim como toda a indústria da construção, o crescimento foi reduzido, mas a expectativa é que ele volte neste ano. A BlocoBrasil é a entidade representativa desse setor,  com 73 associados fabricantes de blocos e pisos pré-fabricado de concreto. Eles estão distribuídos por 12 estados brasileiros. A expectativa relatada também é dela, que defende vantagens do pavimento permeável quando aplicado, principalmente, em ambientes de alto fluxo de água pluvial.

Vamos entender: em regiões metropolitanas, onde há pouca área verde, o escoamento das águas da chuva é dificultado. Os pavimentos em concreto rolado ou asfalto, no geral, não são precavidos com sistemas de drenagem eficientes, o que explica parte das enchentes sobre as quais somos noticiados nos verões. O conceito do pavimento permeável é deixar áreas, de 15% a 25% de vazios, permitindo o escoamento de água na ordem de 200 l/m²/min.

Há dois tipos de tecnologia de pavimentos permeáveis. A primeira é de peças de concreto poroso. Nesse caso, a mistura é preparada com pouca ou nenhuma adição de areia, o que permite a passagem desobstruída de grandes quantidades de água. Esse concreto é produzido por equipamentos que funcionam por vibrocompressão e a sua secagem ocorre por vapor ou ao tempo natural. As peças finais são blocos porosos pré-fabricados, a serem instalados com técnicas comuns de pisos pré-fabricados de concreto.

Concretagem produtiva requer melhores controles no processo

O segundo tipo de pavimento é formado por pisos de concreto convencionais, intertravados. Eles têm juntas alargadas, por onde passa a água pluvial. Assim, criam-se muitos vazios interligados, que deixam a peça altamente permeável. Esse tipo de tecnologia leva vantagem nos reparos, que podem ser feitos sem precisar quebrar o pavimento, pois basta retirar a peça defeituosa, reparar e coloca-la novamente, sem remendos. Comparado ao revestimento asfáltico, há estudos que comprovam que o pavimento permeável intertravado dura até 30 anos, contra dez da mistura em CBUQ.

Já na comparação entre as duas soluções de pavimentos permeáveis, o bloco poroso tem menor resistência em relação ao concreto comum, de modo que ele não serve para todo tipo de tráfego. Mas pode ser usado com segurança na maior parte dos locais de trafego leve ou pouco intenso.

Ambas as soluções, porém, atendem ao princípio de drenagem. Elas devem ser compostas por uma camada de base de brita, na qual os agregados deixam espaço vazios por onde a água infiltra e é armazenada temporariamente. Essa estrutura também atua como filtro, retendo resíduos sólidos. Isso ajuda a mitigar a contaminação da água e, posteriormente, de rios e lençóis freáticos.

O destino da água armazenada na base dos sistemas de piso permeável é definido por cada projeto. A maioria promove um caminho até o aquífero, mas há aplicações onde a água segue para piscinas de armazenagem ou reservatórios, a partir de onde pode ser reutilizada em jardins ou sanitários.

Quando o solo é de boa característica de drenagem, em 72 horas a água armazenada deve ser absorvida e lançada ao seu destino. Em subsolo compactado ou impermeável – caso da argila – a água fica acumulada no reservatório granular e há risco de transbordamento.

 

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