Tech pode evitar o colapso de pontes no Brasil

Rodrigo Conceição Santos – 04.10.2019 – 

No final de agosto, o Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon) divulgou o tamanho do desafio do Brasil em relação à infraestrutura de pontes: temos 137 mil delas, o que somaria um ativo de cerca de R$ 260 bilhões. A falta de inspeção – assunto que sempre aparece, infelizmente, na forma de acidentes – é um dos principais problemas. A vulnerabilidade dessa infraestrutura fica visível no caso dos reparos, feitos sem projetos, que levam à sobrecarga no pavimento, entre outros problemas. Mas há exceções, caso da recuperação da Ponte Imperial Dom Pedro II, na Bahia, restaurada com apoio de um sistema de monitoramento online, com uso de sensores.

A tecnologia, sem dúvida, é um recurso que deve ser usado ativamente na área. A indústria de óleo e gás tem aplicado, com sucesso, os drones para inspeção de suas refinarias, coletando imagens precisas e evitando, na maioria dos casos, o envio de técnicos diretamente para áreas de risco. Agora, nos Estados Unidos, a Inteligência Artificial (AI) entra na lista de recursos high techs adotados identificar rapidamente os defeitos em pontes. Ela é o contraponto das técnicas tradicionais, que consomem tempo para avaliar, por exemplo, a vibração a que estão submetidas algumas pontes. Isso sem falar nos transtornos de interrupção de tráfego e suas consequências.

Duas empresas americanas estão entrando nessa área com uso de AI, combinada com drones e algoritmos e reduzindo o tempo de inspeção – em relação aos métodos tradicionais – em cerca de 70%. São a GBA e a Dymam, essa última especializada em Inteligência Artificial. Elas adotaram drones com câmeras termográficas de infravermelho para avaliar as condições do concreto nas estruturas, as sobrecamadas e as juntas de dilatação. As imagens, por exemplo, permitem associar as flutuações de calor a áreas de estresse nas pontes.

O objetivo das inspeções, coordenadas por técnicos experientes, é detectar áreas comprometidas que podem afetar diretamente a estrutura das pontes. A AI entra adotando algoritmos que convertem os dados identificados nas imagens em informação com precisão. É preciso destacar que estamos falando de imagens capturadas com a coordenação de especialistas, que têm olhos treinados para isso. Não basta os equipamentos e a tecnologia em si. A vantagem é usar essa informação preliminar para identificar problemas que não aparecem aos olhos humanos.

A conversão de dados permite criar imagens 3D que ajudam a visualizar anomalias. Avançamos aqui para níveis de pixels, ou seja, uma escala que o olho humano não captura. E a rapidez e precisão dessa captura faz diferença. Um estudo da American Road & Transportation Builders Association, feita nesse ano, indica que os Estados Unidos têm mais de 47 mil pontes com estrutura deficiente. Como se pode notar, os problemas do Brasil também existem lá.

O que precisa ser feito é uma conta simples: quanto custa investir em tecnologia de inspeção para reparos mais precisos e inteligentes e quanto custa ter que colocar uma ponte novamente em pé, como vimos em casos recentes em São Paulo. Já sabemos que a primeira iniciativa não só é mais inteligente, como a menos custosa.

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