Transporte grátis: muito além de Luxemburgo

Nelson Valêncio – 02.03.2020 – O Grão Ducado de Luxemburgo é um dos menores países do mundo e também um dos mais ricos. As duas informações ajudam a entender o recente anúncio de que todo o transporte público nacional passa a ser gratuito, o que inclui linhas de bondes, trens e ônibus. A liberação vale para os residentes, turistas e pessoas que usam o sistema, mas moram em outros países (são cerca de 214 mil por dia). Detalhe: a medida não inclui o transporte público além da fronteira e nem as passagens de primeira classe nos trens.

A iniciativa do governo luxemburguês não vai pesar muito no orçamento anual de transporte público, orçado em 500 milhões de euros, algo como 2,5 bilhões de reais pelo câmbio atual. A tarifa de 2 euros até então cobrada nos bondes, trens e ônibus representava apenas 8% desse total. E mais: o grão ducado tem um plano de investimentos de 4 bilhões de euros em andamento até 2025, de forma a antecipar um aumento de 20% na demanda por transporte público daqui a dez anos.

A gratuidade em Luxemburgo foi iniciada em 2017, com o transporte grátis de bonde entre a parte sul da cidade e o aeroporto, ao norte. Agora, a medida vale para todo o país, o que a torna inédita, visto que o transporte público gratuito acontece em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. Por aqui seriam 16 cidades, segundo o site Free Public Transport, da famosa Holambra, no interior de São Paulo, até Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

Mesmo no centro do capitalismo, há iniciativas de transporte gratuito. É o caso de Boston, Miami e Cleveland, nos Estados Unidos. Isso não significa que tudo seja free. Em Miami, por exemplo, as iniciativas incluem o Metromover, com interligações no centro da cidade. Nova York, por exemplo, não está na lista, mas oferece a opção de usar o ferry que vai até Staten Island pra ver a Estátua da Liberdade. Infelizmente, o ótimo sistema de metrô da cidade continua sendo pago.

Os movimentos de passe livre, aliás, não estão limitados ao Brasil. Há iniciativas em todo o globo e projetos recém-instalados, incluindo casos na República Tcheca e na Polônia, entre outros. É um tema controverso, principalmente considerando que os aumentos de tarifa por aqui estiveram na raiz dos movimentos de rua dos últimos anos. Acredito que estamos ainda em uma etapa anterior, lutando por um transporte público de qualidade e mais transparência nas concessões dessa área.

 

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