Usina de biometano em aterro sanitário de SP recebe visita de órgãos nacionais e estaduais

Agenda reúne poder público e setor privado para discutir aproveitamento energético de resíduos e regulação ambiental

Por Redação

em 3 de Fevereiro de 2026

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado de São Paulo (Semil) visitou, na última terça-feira (27/1), a usina de produção de biometano instalada no maior aterro sanitário da América Latina, em Caieiras (SP). A unidade, administrada pelo Grupo Solví, recebeu também representantes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Além de promover um diálogo técnico sobre os desafios regulatórios, institucionais e de infraestrutura relacionados à gestão de resíduos, a visita proporcionou uma avaliação do aproveitamento energético do biogás e das possibilidades de avanço na produção de biometano, temas diretamente relacionados às atribuições da ANA e à estratégia de transição energética do Estado de São Paulo.

Inaugurada em novembro de 2024, a usina de biometano de Caieiras é fruto de uma parceria entre a MDC Energia e a Solví Ambiental. O aterro converte o biogás proveniente da decomposição dos resíduos em energia limpa e biometano, evitando a liberação de metano — gás com potencial de aquecimento global 28 vezes maior que o do CO₂. A planta tem capacidade instalada para produzir aproximadamente 70 mil metros cúbicos por dia de biometano e recebe cerca de 10,5 mil toneladas diárias de resíduos, principalmente de municípios da Grande São Paulo.

Usina de biometano em aterro sanitário é opção para estratégia climática

Ao longo da visita, os participantes conheceram todo o processo de operação do aterro, incluindo o aproveitamento energético do biogás até a produção de biometano, além de dados sobre o monitoramento ambiental e hidrogeológico adotados na usina, também chamada de Unidade de Valorização Sustentável (UVS). A unidade opera com alta tecnologia, gerando energia a partir do biogás, tratando o chorume, realizando logística reversa e recuperação de solos.

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O diretor de operações da Solví, Diego Nicoletti, apontou que encontros como este são fundamentais para fortalecer o diálogo entre governos, entidades de classe e a iniciativa privada, especialmente em um setor tão estratégico quanto o de gestão de resíduos. “A agenda climática exige cooperação, alinhamento regulatório e incentivos públicos que viabilizem investimentos em tecnologia, inovação e soluções sustentáveis. Quando esses atores se aproximam e conhecem, na prática, a realidade das operações, conseguimos construir políticas mais eficientes, acelerar a agenda de transição climática e gerar benefícios reais para o meio ambiente e para a sociedade”, afirmou.

Entidades destacam importância de articulação

A diretora da ANA, Larissa Rêgo, destacou a importância da regulação e da articulação entre os diferentes setores do saneamento básico. “É por meio de um trabalho conjunto e planejado que conseguiremos alcançar resultados positivos e duradouros. Essa integração entre os entes públicos e o setor privado é essencial, pois cada um tem seu papel e sua relevância. Unindo experiência e diálogo, avançaremos na construção de políticas públicas mais efetivas, planejadas e integradas”, concluiu.

“Entendemos o setor de resíduos como um celeiro de soluções ambientais e climáticas. Aqui vemos, na prática, a transformação dos resíduos em biocombustíveis, biometano e outros subprodutos, mostrando que é possível valorizar o que antes era considerado apenas lixo. Para avançarmos nessa agenda em toda a cadeia da gestão de resíduos, é fundamental a interlocução entre o setor privado, os governos e as entidades de classe”, afirmou André Galvão, superintendente executivo da Abrema.

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