Wirelink chega a 10,2 mil km de rede óptica até o final do ano

Por Nelson Valêncio – 15.07.2016 – 

Infraestrutura inclui rede própria e acordos de troca de infraestrutura (swap) com outras operadoras. Expansão recente inclui adoção de DWDM em trecho de 2,6 mil km entre Maranhão e Pernambuco.

Criada em 2001, a Wirelink nasceu como prestadora de serviços de construção de rede para grandes operadoras de telecomunicações. Hoje, passados 15 anos, o cenário mudou. O anúncio de recuperação judicial da Oi para uma dívida de R$ 55 bilhões confirma que navegar um transatlântico não é necessariamente um bom negócio (nenhuma alusão aqui ao Titanic). Longe de ter o tamanho – e os problemas – da Oi, a Wirelink é mais um provedor regional que avança em seu território. A empresa opera com uma infraestrutura atual de 9 mil km de rede óptica, própria e por meio de acordos de troca (swap), e ainda constrói, em consórcio com a Vivo e com outras duas parceiras, uma malha de 1,2 mil km. Ou seja, chega ao final do ano com 10,2 mil km de rede óptica no Nordeste (Maranhão, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte) e no Pará.

No Ceará, a empresa se destaca pelo anel óptico de 3 mil km em conjunto com duas outras empresas (consórcio BWM). De acordo com seu diretor Adriano Câmara Marques, a segurança dessa operação espelha o arrojo da companhia: de maio a dezembro de 2015, o anel apresentou uma interrupção de apenas 15 minutos. Com capacidade de 330 Gb/s, o Cinturão deve duplicar suas vias para 630 Gb/s, com a inclusão de mais três canais, cada um deles com 100 Gigabits. Fora dele, outra expansão recente envolveu 2,6 mil km ligando o norte do Maranhão a Pernambuco, agora com a aplicação da multiplexação densa por comprimento de onda (DWDM).

Wirelink 2

Com a adoção da tecnologia, a Wirelink adiciona 100 Gb/s ao trecho, cobrindo vários dos estados atendidos, lembrando que essa infraestrutura interliga-se ao Cinturão, reforçando a cobertura. Para Marques, a capacidade amplia o atendimento de clientes corporativos, usuários finais e OTTs. Os contratos de swap, por sua vez, aumentam a capilaridade. A ligação entre Fortaleza e São Luís, por exemplo, é feita via a rede da Vivo. Essa operadora, por sua vez, utiliza a malha da Wirelink entre Picos e Teresina, no Piauí, com 350 km.

A infraestrutura piauiense citada acima é outro exemplo do avanço da Wirelink. Antes da fibra óptica, a operadora cobria a distância interestadual com uma estrutura de rádio de alta capacidade, com frequências entre 6 GHz e 8 GHz. Apesar de mantida, em alguns casos como redundância, a infraestrutura sem fio deixa de competir com a óptica na maioria dos casos, segundo Marques. “O rádio digital permanece nas regiões onde não há expansão viável da fibra, mas fica limitado à velocidade de 300 Mbps”, detalha o executivo.

De acordo com ele, o investimento e a manutenção do rádio digital são altos em contraponto ao custo-benefício da rede óptica. A necessidade de manter a redundância também influencia. É o caso da extensão de 200 km de rede aérea entre Picos, no Piauí, e Tauá, no Ceará, especialmente instalada para garantir que a ligação entre Fortaleza, Teresina até Picos não ficasse interrompida pelo alto índice de rompimentos da infraestrutura de fibra óptica.

Com rede própria ou não, a expansão continua porque há uma forte demanda reprimida por infraestrutura óptica no Nordeste na avaliação de Marques. A instalação acontece mesmo com a queda de valores de pacotes de serviços, algo que chega até 80% em alguns casos. Para o executivo, essa tendência pode ser problemática, considerando que os investimentos em rede de telecomunicações são intensivos em capital. Os custos de implantação são um exemplo: o km de rede enterrada chega a R$ 100 mil, dez vezes mais do que a ativação de uma infraestrutura aérea, usando os postes de concessionárias de energia.

Para complicar, nem sempre os financiamentos são favoráveis. No projeto de DWDM recentemente firmado com a Padtec, a Wirelink conseguiu “finamizar”, ou seja, usar os recursos do BNDES, somente para cerca de 15% da compra de equipamentos e serviços. A saída envolveu a contratação de empréstimos em bancos comerciais e uma negociação com a própria fabricante. A flexibilização financeira da Padtec (fornecedora de tecnologia no projeto do Cinturão Digital) pesou na escolha da Wirelink.

O rol de parceiros inclui ainda a Furukawa, fornecedora da maior parte da rede óptica. Considerando que o mercado está em alta, a Wirelink também tem acordos com a Sumitomo  para a compra dos cabos ópticos. Nas redes de acesso, Marques avalia que a combinação de soluções da norte-americana Cisco com a brasileira Datacom atende as demandas do provedor regional. No caso de roteadores de borda, a Juniper tem substituído as opções da Cisco. Ainda em tecnologia, Wirelink não descuida de tendências como as redes definidas por software (SDN), mas o pragmatismo fala mais alto e a companhia foca na ativação do FTTx em cidades como Sobral, no Ceará.

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