O governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), assinou com a Universidade Federal de Goiás (UFG) um acordo para a criação do Centro de Ciências e Tecnologia Mineral. A estrutura será instalada na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT/UFG) no Campus Aparecida de Goiânia. O documento prevê investimento de R$ 28 milhões para a criação do instituto, que busca tornar o estado uma referência nacional no setor mineral.
O centro terá atuação em diversas frentes, como o desenvolvimento de pesquisas em processamento de minerais, especialmente de terras raras e remineralizadores de solo, além da oferta de cursos e capacitações para a formação de novos especialistas. A iniciativa conta com a participação do Governo de Goiás, da UFG, da Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) e da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).
Busca por terras raras justifica parceria
O entendimento ocorre em um momento estratégico do cenário geopolítico, onde setores de tecnologia e de carros elétricos dependem de terras raras para o desenvolvimento de seus produtos. O estado de Goiás ganha relevância nessa questão por concentrar parte desses recursos em território nacional, segundo pesquisas a Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB).
O novo centro tecnológico terá como objetivo o desenvolvimento completo de pesquisa e inovação em diversas áreas da mineração, incluindo agrominerais, minerais para construção civil, gemas e minerais estratégicos ligados à transição energética e à segurança alimentar.
A SIG defende que a criação do centro é fundamental para que Goiás avance cientificamente, com transferência de tecnologia e negócios, além da possibilidade de verticalização das Terras Raras no estado. Segundo a reitora da UFG, o novo centro de pesquisa da UFG em minerais ajudará o estado de Goiás a se destacar nacionalmente na produção e no desenvolvimento de novas tecnologias.
Potencial mineral estratégico
Goiás abriga importantes reservas minerais de terras raras em regiões como Minaçu, Nova Roma e Iporá. Entre os principais projetos, destaca-se a Serra Verde, em Minaçu, atualmente a única operação comercial de terras raras em atividade no Brasil, segundo a SIG. Além disso, está em estágio avançado o Projeto Carina, da multinacional peruana Aclara Resources, em fase de implantação em Nova Roma, com investimento estimado em R$ 2,8 bilhões. Também há a atuação da multinacional canadense Appia, que desenvolve pesquisas sobre Terras Raras em Iporá e municípios do entorno.


