A energia solar deixou de ser tratada apenas como uma pauta ambiental e passou a integrar a estratégia financeira e operacional das indústrias. Gerar a própria energia tornou-se uma forma de reduzir custos fixos, ampliar previsibilidade e proteger margens, desde que os projetos sejam bem dimensionados e seguros para a operação. Essa é visão de Emerson Souza, head da vertical de Energia Solar da RGL Solutions, que aponta a busca por previsibilidade e controle de gastos tem impulsionado decisões estratégicas no setor produtivo.
A mudança ocorre em um contexto de consolidação da fonte solar no País. Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostram que a geração fotovoltaica apresentou crescimento de 24,5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2024, alcançando produção média de 4.862 megawatts médios (MWmed), frente a 3.904 MWmed no período anterior. O avanço reforça o papel crescente da fonte no planejamento energético das empresas.
A Ambev, por exemplo, colocou em operação uma usina solar no modelo behind-the-meter de 5 MW, localizada em Cachoeiras de Macacu (RJ) — o projeto foi estruturado pela Solar Americas e teve investimento de cerca de R$ 20 milhões. A previsão de geração é de cerca de 7 GWh/ano, com expectativa de reduzir custos de compra de energia da matriz elétrica da cervejaria e contribuir para as metas de energia renovável da empresa.
Outro exemplo é TIM, que já produz 65% da energia que consome em 130 usinas solares, hídricas e de biogás arrendadas de parceiros, presentes em 23 Estados e no Distrito Federal. Desde 2021, a TIM opera com 100% de energia renovável, complementando a produção oriunda das usinas com aquisição no mercado livre e compra de certificados de energia renovável, os chamados I-RECs.
Geração solar também precisa se atualizar
A expansão da geração distribuída na última década fez com que muitos sistemas solares instalados no Brasil se aproximassem de dez anos de operação. Esse processo de envelhecimento, somado ao avanço tecnológico e ao aumento das exigências regulatórias, tem ampliado a demanda por modernização e correções técnicas. No ambiente industrial, essa necessidade se torna ainda mais crítica, já que falhas nos sistemas podem comprometer a produção e gerar riscos operacionais.
Nesse cenário, cresce a atenção à confiabilidade e à estabilidade dos projetos solares industriais. De acordo com especialistas do setor, parte das instalações apresenta problemas como falhas de engenharia, equipamentos subdimensionados e ausência de monitoramento adequado, o que reduz a geração de energia e aumenta riscos. A solução passa por reforçar a engenharia dos projetos, garantir proteção dos equipamentos, assegurar aterramento correto e adotar sistemas de monitoramento contínuo, capazes de manter a estabilidade da operação.
Além disso, o ambiente regulatório mais rigoroso tem pressionado empresas a adequar seus sistemas às normas técnicas, sob risco de desligamento por parte das concessionárias. Nesse contexto, projetos bem estruturados, com governança técnica e acompanhamento permanente, tornam-se fundamentais para garantir previsibilidade, segurança e retorno econômico, consolidando a energia solar como uma solução estratégica para o setor industrial.


