O encerramento definitivo da TV analógica no Brasil pode ser uma boa notícia para o mercado de Internet das Coisas (IoT). Segundo representantes do setor, a liberação da faixa de 700 MHz, agora na fase final do leilão das subfaixas remanescentes, tem tudo para melhorar as condições estruturais para projetos que dependem de cobertura mais ampla e maior penetração de sinal, como aplicações em agronegócio, logística, utilities, meios de pagamento, rastreamento, cidades inteligentes e infraestrutura crítica.
A vantagem de frequências baixas como a de 700 MHz é seu maior alcance geográfico e a penetração indoor. Com o desligamento da TV analógica em dezembro de 2025, a frequência fica livre para a implantação de estações 4G em localidades que ainda estavam sem cobertura móvel. Isso aumenta a viabilidade do 4G como rede para a tecnologia IoT, deixando de lado opções mais antigas, como o 2G e o 3G.
Ana Carolina Bussab, CEO da Eseye no Brasil, diz que, embora a faixa de 700 MHz esteja sendo licitada com foco em expansão da conectividade móvel, sua disponibilidade em baixa frequência tende a beneficiar de forma relevante o IoT celular, ao aumentar a área útil de cobertura e reduzir fricções de implantação em aplicações distribuídas. Para empresas que atuam com conectividade gerenciada, múltiplos parceiros de rede e operações críticas, esse contexto abre espaço para projetos mais robustos, com melhor aderência operacional e maior potencial de escala.
Mais espaço para a inovação em IoT com o 700 MHz
Ela conta que a ampliação da cobertura 4G em 700 MHz pode abrir espaço para um conjunto mais amplo de aplicações. No agronegócio, pode acelerar a conectividade de equipamentos, sensores, telemetria e ativos em áreas rurais. Em utilities, pode fortalecer projetos de medição inteligente e monitoramento de campo. Em logística e mobilidade, favorecer rastreamento, gestão de frotas e monitoramento de cargas em rotas extensas.
Já em meios de pagamento e varejo distribuído, pode ampliar a robustez operacional de terminais e dispositivos conectados instalados em localidades historicamente mais sensíveis a falhas de cobertura. Em todos esses cenários, a capacidade de combinar cobertura ampliada com parceiros locais de conectividade tende a se tornar um diferencial competitivo relevante.
A demanda por mais tecnologia também aumentaria, como aposta Fabio Ribeiro, CEO da NLT Telecom. “À medida que mais aplicações se tornam viáveis em campo, cresce a necessidade de conectividade desenhada para operação crítica, e não apenas para ativação de linha. Isso envolve integração via APIs, redundância, gestão de rede, observabilidade e capacidade de atender verticais como indústria 4.0, agronegócio, cidades inteligentes, rastreamento e meios de pagamento com visão de longo prazo”, diz.


