Segundo o relatório “Understanding Power Generation: Loss Trends and Predictive Analytics”, realizado pela FM, seguradora especializada em bens patrimoniais e prevenção de perdas, a demanda global de eletricidade deve crescer 3,6% ao ano entre 2026 e 2030. Baseado em décadas de dados de sinistros de clientes da FM em geração de energia em diferentes mercados, o estudo prevê impactos importantes vindos da eletrificação da economia, do avanço dos data centers e do crescimento de novas fontes de geração.
A previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é de que a carga do Sistema Interligado Nacional deve crescer, em média, 4,0% ao ano no período, chegando a aproximadamente 99 GW em 2030. A projeção considera, entre outros fatores, a expansão dos data centers, a micro e minigeração distribuída e a integração de Roraima ao Subsistema Norte.
Qual o desafio para os próximos anos?
O relatório da FM destaca que a capacidade de resposta das geradoras enfrenta um gargalo físico e logístico relevante: os prazos de entrega para substituição de grandes transformadores de energia podem chegar a dois ou três anos, enquanto os horizontes de substituição para turbinas a gás variam de três a sete anos. Mesmo componentes menores, como buchas condensivas acima de 62 kV, já podem levar mais de um ano para serem obtidas.
A principal ressalva da FM é por conta das perdas de energia. As avarias mecânicas e elétricas são as principais causadoras de perdas em geração de energia, representando mais de 70% de todos os sinistros analisados pela FM e mais de 80% do impacto financeiro total anual. As turbinas a gás aparecem como a maior fonte isolada de danos à propriedade em todo o setor.
Turbinas a gás e transformadores também estão entre os principais responsáveis por perdas associadas à interrupção de negócios, em grande parte devido às restrições globais na cadeia de suprimentos e aos longos prazos de reposição desses equipamentos críticos.
Dados de segurados sustentam preocupação
No período de dez anos, entre 2016 e 2025, o setor acumulou US$ 4,6 bilhões em perdas brutas entre clientes da FM, sendo US$ 2,6 bilhões em danos materiais e US$ 2 bilhões em lucros cessantes. A quebra de maquinário respondeu por 44% das perdas, seguida por falhas elétricas, com 28%.
Somente entre 2021 e 2025, os clientes da FM registraram 427 sinistros em geração de energia, totalizando aproximadamente US$ 3,7 bilhões em perdas brutas. Turbinas e transformadores representaram, de forma consistente, algumas das fontes de perda mais graves e dispendiosas.
A FM defende que, quando ocorre uma perda relevante nesse segmento, os impactos podem ir muito além da planta afetada, alcançando cadeias de produção, disponibilidade de energia e comunidades. O cenário é mais crítico com o aumento da demanda e a maior complexidade operacional ocasionada pelas diferentes formas de geração de energia.
Prevenção como estratégia de resiliência
O relatório também reforça o impacto da prevenção de perdas na redução da severidade dos sinistros. Segundo a FM, mais de um quarto das perdas de seus clientes, aproximadamente 27%, tem origem em apenas 2% dos locais previamente identificados como mais propensos a sofrer um sinistro.
Entre as principais causas de perdas identificadas pelo relatório estão:
- Incêndios originados por falhas elétricas, mecânicas ou de trabalhos a quente, como corte e solda.
- Sobrecarga em transformadores, painéis elétricos e sistemas de resfriamento, especialmente em operações com cargas concentradas de alta densidade e perfis de carga mais voláteis, como data centers.
- Interrupções de negócios decorrentes da dependência de equipamentos críticos únicos, cuja substituição pode levar anos em razão dos gargalos da cadeia global de suprimentos.


