A conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) entrou para a história recente da infraestrutura brasileira não só pela importância da obra, mas também pela complexidade ambiental. Com a energização da Linha de Transmissão 500 kV Manaus-Boa Vista, o último estado que ainda permanecia isolado da rede nacional de energia passou a fazer parte do sistema elétrico integrado do País.
A entrega desse marco nacional também revela a complexa operação ambiental necessária para viabilizar uma obra de grande porte na Amazônia, com frentes simultâneas de trabalho, áreas ambientalmente sensíveis, 18 canteiros de obra e exigências socioambientais específicas previstas no processo de licenciamento.
Ao todo, o projeto envolveu 724 quilômetros de linha de transmissão, com 122 km passando dentro de uma Terra Indígena, 13 mil km de cabos e três anos de execução. A implantação mobilizou oito construtoras distribuídas em 18 canteiros, em uma logística que exigiu coordenação permanente entre engenharia, meio ambiente, órgãos públicos, comunidades e equipes de campo.

Como foi a operação para licenciamento ambiental
Com a participação da Ambientare Soluções em Meio Ambiente, o trabalho de licenciamento ambiental começou já na fase de pré-obra, um trabalho que incluiu acompanhamento das frentes de implantação, controle de condicionantes, comunicação social, educação ambiental, monitoramento de áreas sensíveis, resgate de flora, afugentamento e resgate de fauna.
Um dos pontos mais sensíveis do projeto, a execução das ações previstas no Plano Básico Ambiental do Componente Indígena, o PBA-CI Waimiri Atroari. Essa frente envolveu medidas voltadas à proteção de recursos naturais essenciais, ao respeito a locais sagrados e culturais, ao monitoramento ambiental e à preservação do modo de vida dos Waimiri Atroari.
O relacionamento com os indígenas ocorreu por meio do Programa de Gestão Ambiental Kinja, com foco no diálogo contínuo e no acompanhamento da comunidade das ações previstas. Em obras dessa natureza, a dimensão socioambiental é uma condição central para a viabilidade do empreendimento.
Gestão não foi simples
Esse cenário operacional ampliou a complexidade da gestão ambiental, tornando necessária a adoção de ferramentas capazes de organizar, sistematizar e integrar um grande volume de informações ambientais geradas diariamente em campo, tanto para fins de controle interno quanto para atendimento às exigências do órgão licenciador, Ibama e demais Autoridades relacionadas. A gestão de dados em tempo real, utilizando os aplicativos ArcGIS Survey123 e ArcGIS Field Maps, proporcionou uma maior efetividade do trabalho de campo.
A integração de dados de diversos programas ambientais em painéis interativos (dashboards) forneceu à gestão uma visão macro e micro do desempenho socioambiental da obra, permitindo a tomada de decisões baseada em dados precisos e atualizados.

Integração de Roraima com o SIN teve menor impacto ambiental
Um dos ganhos ambientais mais expressivos foi a significativa redução da supressão vegetal. Com o apoio de análises espaciais integradas, revisões de engenharia e o uso de drones para o lançamento de cabos, o projeto evitou o corte de 657,25 hectares de vegetação, representando uma redução de 62% em relação à área inicialmente licenciada.
Em relação aos programas de fauna, destaca-se a atuação junto ao Ibama para o desenvolvimento de ações de Apoio à Conservação da Fauna, desenvolvido em parceria com professores de universidades federais da região. A iniciativa buscou fortalecer a produção de conhecimento científico e ampliar ações de preservação de espécies amazônicas.
Para Dione Ribeiro, gerente técnica do projeto, a implantação da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista esteve entre os maiores desafios já enfrentados pela Ambientare. “Realizar um empreendimento desse porte na Amazônia, incluindo trecho em Terra Indígena, exigiu excelência técnica, diálogo permanente e confiança entre todos os envolvidos”, afirmou.


