O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil cresceu 1,1% no primeiro semestre de 2026, frente ao mesmo período do ano anterior. O número está dentro da projeção de crescimento estimada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) para 2026, que é de 1,2%. Os números são sustentados por investimentos privados, concessões e obras de saneamento no segmento de infraestrutura, enquanto o mercado imobiliário é puxado pelo Minha Casa, Minha Vida.
O mercado de trabalho também continua apresentando resultados positivos. O saldo de novos empregos formais na construção cresceu 6,52% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
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Infraestrutura se destaca na geração de empregos
O principal destaque foi a infraestrutura. Pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020, o segmento registrou saldo de novas vagas superior ao da Construção de Edifícios. As obras de infraestrutura geraram quase 65 mil novos empregos formais entre janeiro e junho de 2026, avanço de cerca de 30% na comparação com igual período de 2025. A Construção de Edifícios, por sua vez, apresentou saldo positivo de 60.552 postos de trabalho, resultado 2,19% inferior ao registrado no primeiro semestre do ano passado.
A geração de empregos também foi disseminada pelo país. Todos os 26 estados e o Distrito Federal apresentaram saldo positivo no primeiro semestre. Em números absolutos, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina lideraram a criação de vagas na construção.
Números do primeiro semestre da Construção não empolgam CBIC
Apesar do número positivo, que acompanha um crescimento também de 1% do segundo trimestre na comparação ano a ano, representantes do setor não se mostram muito otimistas. Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, as expectativas no início do ano eram maiores. “Começamos 2026 com uma expectativa mais positiva para a trajetória dos juros. A partir do fim de fevereiro, com o início dos conflitos no Oriente Médio, esse cenário começou a mudar. A perspectiva passou a ser de uma redução menor do que a esperada inicialmente, o que aumentou a cautela dos empresários e se refletiu no desempenho da construção”, afirma Ieda.
A economista destaca que o recuo ocorre após um primeiro trimestre mais forte. Ela diz que também é preciso considerar a perda de dinamismo das pequenas obras e reformas, que integram o cálculo do PIB da construção. Nesse segmento, a redução do consumo das famílias, diante do maior endividamento e do crédito mais caro, contribui para a desaceleração.
Desde o primeiro trimestre de 2022, quando a taxa básica de juros voltou ao patamar de dois dígitos, o custo do crédito aparece entre os três principais problemas apontados pelos empresários da construção. A Selic em nível elevado, os custos da construção acima da inflação e a redução das expectativas positivas dos empresários limitam uma expansão mais forte da atividade, diz a entidade. Por outro lado, o avanço das obras de infraestrutura e os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos ajudam a sustentar as perspectivas para o setor.


